sábado, 10 de julho de 2010

Literatura - Parnasianismo:

O Parnasianismo surge a partir da segunda metade do séc. XIX, reagindo contra o sentimentalismo e a subjetividade romântica. Eles procuravam uma poesia mais cerebral, em que o belo deveria ser alcançado por meio de um trabalho meticuloso.
Origina-se de Parnasus, região montanhosa da Grécia. Segundo a lenda, ali moravam os poetas. Alguns críticos chegaram a considerar o Parnasianismo como uma espécie de Realismo na poesia. O autor Realista percebe a crise da “síntese burguesa”, já não acredita em valores da classe dominante, em compensação, o autor parnasiano mantém certa indiferença frente ai drama cotidiano, isolando-se numa “torre de marfim”, elaborando teorias de acordo com hedonismo, ou seja, preocupação com o prazer individual.

Características do Parnasianismo:


• Impessoalidade e objetividade: evitando fazer confissões pessoais, os poetas parnasianos procuravam fazer descrições objetivas de cenas e coisas, numa poesia pictórica, retratista, contrária a idealização romântica. Vasos, estátuas, elementos exóticos, históricos, filosóficos, arqueológicos e mitológicos.
• Visão carnal da mulher: ao contrário dos românticos que descreviam a mulher idealizada, os parnasianos a descrevia como fêmea desejada e sadia.
• Arte pela arte: para os parnasianos a verdade era igual à beleza, e a beleza residia na forma; portanto, a arte não teria outra finalidade além da criação da beleza, não teria qualquer compromisso, não existiria função da sociedade, da religião, da moral etc. O único compromisso da arte seria com ela mesma, contudo veremos que os brasileiros não seguiram a risca este princípio.
• Culto da forma: em consequência da fórmula verdade= beleza = forma, os parnasianos buscaram a perfeita expressão, do que decorre.
a) predominância da técnica sobre a inspiração, da forma sobre o conteúdo;
b) assimilação dos ideais das artes plásticas, comparação doa poeta com o pintor, o escultor, o ourives;
c) procura da rima rica, rara, ou resultante da combinação de categorias gramaticais diferentes, aversão aos termos cognatos (originários da mesma raiz);
d) retorno aos modelos clássicos greco-latinos e alusão à mitologia;
e) correção gramatical, uso de vocábulos raros, inversão frasal;
f) procura da palavra perfeita (mot juste);
g) predileção pelo soneto, abandono do verso branco;
h) repúdio a hiato, encontro de duas vogais no fim de uma palavra e no princípio de outra: be/le/za é ân/sia;
i) sonetos terminados com “chave de ouro”, isto é, com um verso final bem escrito, procurando condensar uma idéia e arrematando o poema com um belo efeito.
Parnasianos da prosa: Rui Barbosa, Coelho Neto, Xavier Marques, e outros.

Principais autores:

• Olavo Bilac: um dos poetas mais combatidos pelos modernistas por apresentar certos traços românticos em sua poesia. Ele tem como característica dominar a poética e a língua, devido a sua extrema preocupação com o refinamento formal.

O poeta ufanista:

Olavo Bilac cantou os símbolos pátrios, a mata, as estrelas, as crianças, os soldados, a bandeira, os dias nacionais, etc. Veja-se o soneto “Pátria”:

“Pátria, latejo em ti, no teu lenho, por onde
Circulo! E sou perfume, e sombra, e sol, e orvalho!]
E, em seiva, ao teu clamor a minha voz responde,]
E subo do teu cerne ao céu de galho em galho!]

Dos teus liquens, dos teus cipós, da tua fronde,]
Do ninho que gorjeia em teu doce agasalho,
Do fruto a amadurar que em teu seio se esconde]
De ti, - rebento em luz e em cânticos me espalho!

Vivo, choro em teu pranto; e, em teus dias felizes,]
No alto, como uma flor, em ti, pompeio e exulto!]
E eu, morto - sendo tu cheia de cicatrizes,

Tu golpeada e insultada, - eu tremerei sepulto:
E os meus ossos no chão, como as tuas raízes,]
Se estorcerão de dor, sofrendo o golpe e o insulto!”]

Via-Láctea

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálido aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”


Obras:
Poesia: Poesias (“Panópilas”, “Via-Láctea”. “O caçador de esmeraldas”, “Sarças de fogo” e “Alma inquieta”) (1888); Sagres (1898); Poesias infantis (1904) e Tarde (1919).
Prosa: Crítica e fantasia (1904); Tratado de versificação (1905), em co-autoria.

• Raimundo Correia: sua poesia tem um tom melancólico e pessimista no questionamento da vida e sua transitoriedade. Porém, foi um mestre na construção verbal, caracterizando-se pela escolha prefeita do vocábulo e pelo domínio do verso e da língua. Seus poemas também serviram como ação política e social e às vezes com um fundo filosófico e ideológico.
Obras:
Poesia: Primeiros sonhos (1897); Sinfonias (1893); Versos e versões (1897); Aleluias (1891) e poesias (1898).
• Alberto de oliveira:

sua obra revela excessiva preocupação formal, gosto por preciosismos e sintaxe rebuscada. O exotismo, o sentimento contido, as imagens sugestivas, a linguagem às vezes nobre, mas sem arcaísmos, a tendência às descrições da natureza e as coisas antigas, a melancolia e saudade são características de sua poesia.
Obras:
Poesia: Canções românticas (1877-78); meridionais (1884); Sonetos e poemas (1895); Versos e rimas (1895) e Ramo de árvore (1922).

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