quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O Cortiço - Análise e características - não é um resumo.


O Cortiço

                                                  Aluísio Azevedo

Análise e características - não é um resumo.
Análise

            O Cortiço, escrito por Aluísio Azevedo, em 1890, é uma das principais obras do movimento naturalista - movimento que teve seu início em França, denunciando a miséria social, o preconceito, racismo, etc.  Considero a leitura desse livro deveras importante, pois ele retrata a história vivida em nosso país no final do século XIX. A obra traz uma metáfora do domínio português sobre o Brasil, no personagem de João Romão, português que domina o cortiço, mesmo sendo, nossa nação, independente desde 1822.

            O Cortiço traz o próprio Cortiço como personagem principal, ali tudo se desenvolve, o dia a dia, as brigas, a temática da difícil sobrevivência das classes mais baixas em o Brasil. João Romão é o dono do espaço, português que não mede esforços a fim de obter o seu maior desejo, ascender a uma classe social mais alta, a fim disso ele passa por cima de qualquer um, o personagem parece não ter um grau de humanidade.

            A obra foi um dos primeiros livros da literatura nacional a revelar a vida nas favelas do Rio de Janeiro (poderíamos chamar assim o Cortiço, hoje em dia.), alvo de polêmicas, o enredo revela as divergências entre a riqueza e a pobreza. Um fato relevante é a utilização do "Zoomorfismo", técnica de comparação dos personagens a animais nas situações que determinam o uso do instinto nas atitudes.

 

Características

 

            No decorrer da obra, Aluísio Azevedo tematiza em torno de seu estilo literário: temas como o adultério, os crimes, a miséria, os dilemas sociais, com base no cientificismo, são descritos meio as situações no desenvolvimento do enredo. A teoria Darwinista e o determinismo estão presentes no fator meio , influência, ser humano, pois o comportamento humano é influenciado por meio do ambiente, nesse caso o Cortiço. A forma como o autor descreve a vida proletária foi inovadora, já que as obras escritas até então não ocupavam as páginas priorizando essa temática.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Resenha - Dom Casmurro - Machado de Assis
Por Júlio Vallim
            Um fato a não ser esquecido - e um dos principais marcos do enredo - é a constatação de que Bento Santiago escreveu a obra a partir de suas conclusões, ou seja, em sua cabeça Capitu havia traído. Todo o desenrolar da história é contado segundo a visão do narrador, que utiliza sua formação jurídica a fim de enfileirar fatos que levem ao ponto de que sua história seja verossímil. Bentinho escreve a obra como um projeto de vingança, já que em outro momento não consegue essa intenção: quando pensa em tomar o café envenenado ou dar ao seu filho. Suas memórias servem como um elo de ligação entre a adolescência e sua velhice, por meio do texto o narrador une esses pontos que ficaram "recortados" em sua vida.
            Dom Casmurro (alcunha dada devido a sua reclusão, solidão, introspecção em sua velhice) tem a certeza de que Capitu teria o traído com Escobar, seu amigo de adolescência. O velório do amigo   - que morre afogado - o leva a confirmação disso, segundo sua cabeça, Capitu tem um modo "desesperado" de lidar com a morte de Escobar, a atitude da esposa é a de uma amante e não de uma amiga. Os olhos de ressaca da mulher o  levam a essa conclusão: funcionam como o mar, puxando a tudo para a sua volta.
            O enredo discorda da tese determinista, na qual o ser é fruto do meio em que vive, pois a personagem é descrita desde o início da obra de maneira a ter tendências à traição, uma mulher com modos e maneiras diferentes das demais para a época, mas nada comprova a traição.  Capitu é descrita até por José Dias como  uma mulher de olhos de cigana oblíqua, evasiva, com capacidade a sair de qualquer situação comprometedora.

            A economia da época é retratada no fato dos "agregados", personagens que moram na casa de Dona Glória, fato comum à época. Muitas pessoas , parentes ou não, viviam como agregados à uma família, trocando favores, algumas vezes. Os costumes de época também são mostrados durante o desenrolar da obra, assim como os modos de expressão, caracterizados na "linguagem machadiana". Bentinho tenta persuadir o leitor a crer em sua ideia de adultério, no filho Ezequiel ele enxerga o amigo Escobar, como uma tentativa de comprovar sua tese.


Resumo  - Dom Casmurro
Por Júlio Vallim

Dom Casmurro (1899) - Machado de Assis
Bentinho, chamado de Dom Casmurro por um rapaz de seu bairro, decide atar as duas pontas de sua vida. Morando com sua mãe ( D. Glória, viúva ), José Dias (o agregado), Tio Cosme e a prima Justina, Bentinho possuía uma vizinha que conviveu como "irmã-namorada" dele , Capitolina - a Capitu . Seu projeto de vida era claro, sua mãe havia feito uma promessa, em que Bentinho iria para um seminário e tornar-se-ia um padre. Cumprindo a promessa Bentinho vai para o seminário, mas sempre desejando sair, pois se tornando padre não poderia casar com Capitu. José Dias, que sempre foi contra ao namoro dos dois, é quem consegue retirar Bentinho do seminário, convencendo D. Glória que o jovem deveria ir estudar no exterior. Quando retorna dos estudos, Bentinho consegue casar com Capitu e desde os tempos de seminário havia fundamentado amizade com Escobar que agora estava casado e sempre foi o amigo íntimo do casal. Nasce o filho de Capitu, Ezequiel. Escobar, o amigo íntimo, falece e durante o seu velório Bentinho ele percebe que o seu filho era a cara de Escobar. Embora confiasse no amigo, que era casado e tinha até filha, o desespero de Bentinho é imenso. Vão para Europa e Bentinho depois de um tempo volta para o Brasil. Capitu escreve-lhe cartas.Pouco tempo depois, Ezequiel também morre, mas a única coisa que não morre no romance é BENTINHO E SUA DÚVIDA.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

LITERATURA - Leitura obrigatória, UFRGS. TROPICÁLIA OU PANIS ET CIRCENCIS



O Tropicalismo foi um movimento de base cultural que fez história no Brasil, em meados de 1967. A tropicália foi um movimento estético e comportamental, caracterizou-se pela junção de elementos típicos da cultura brasileira. Teve raiz na corrente de vanguarda antropofágica (1922). Gilberto Gil, Tom Zé, Caetano Veloso, Torquato Neto, Hélio Oiticiça e Rogério Duprat foram alguns dos idealizadores do movimento.
                    O marco inicial do Tropicalismo teve origem em 1967, após a exposição de Hélio Oitiça, intitulada "Tropicália, manifestação ambiental". Outros três fatos relevantes devem ser agregados para o fundamento da corrente tropicalista: a estreia da película de Glauber Rocha (Terra em Transe), a peça de Oswald de Andrade, "O Rei da Vela" e as participações de Gilberto Gil e Caetano Veloso no Festival da Record III.
                    Em relação à música, a Tropicália trouxe o ar da rebeldia, da juventude indomável, misturando toda a brasilidade: folclore, religiosidade, Bossa nova, MPB e outros tradicionais elementos da identidade cultural que se criava em nosso país. O ponto crucial da manifestação musical do tropicalismo foi a gravação do álbum "Tropicália Ou Panis et Circencis", em 1968, no mês de Maio.
                    O disco reuniu doze canções, nas vozes de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Nara Leão e os mutantes. Juntaram-se à poesia de Torquato Neto e Capinam, com arranjos de Tom Zé e regência de Rogério Duprat. As músicas não procuravam um tom de sequência, não havia consenso, o objetivo era mostrar o ar dessa juventude contestadora.


Capa do álbum

                    A Capa do disco denota a irreverência da Tropicália, elaborada pelo artista plástico Rubens Gerchman, com a fotografia de Oliver Perroy. A criação da imagem teve a participação de todos os envolvidos na gravação do álbum, foi elaborada a partir de uma paródia da obra dos Beatles, intitulada "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band". Na imagem aparecem alegorias nacionais, todos aparecem postados de acordo com as fotografias familiares da época. Notamos na fotografia a ausência de Nara Leão, mas ela aparece no retrato nas mãos de Caetano Veloso, esse está ao lado dos mutantes, que estão com feições sérias, empunhando guitarras, instrumento da nova música, na época.Tom Zé veste um terno e segura uma mala de couro, representando a migração nordestina; Torquato Neto e Gal Costa figuram como um típico casal interiorano, Gilberto Gil veste uma toga e segura uma foto de formatura, representando os intelectuais, sua toga tem as cores tropicais. A imagem tem a moldura das cores brasileiras, a fim de emblemar o sentido de identidade brasileira ao álbum.
                    A contracapa traz uma imagem de tropicalistas em um diálogo desconexo, representando o sentido de falta de senso ou conformidade da obra. A estrutura das faixas não é colocada de forma normal, não apresenta interrupções para indicar o final e começo de nova composição, remetendo ao disco dos Beatles citado anteriormente.
                   

                    Objetivos

               As músicas têm uma estrutura polifônica e letras que não visam uma forma conceitual de protesto, mas sim apresentam um contexto alegórico e irônico quanto à ditadura militar.


                   
ÁLBUM

"Miserere Nóbis"
                    A primeira faixa traz o título composta por Gilberto Gil e Capinam, Gil canta o sentido de desaprovação à ditadura, porém em tom suave, comparada às músicas de protesto da época, entoada em ritmo de marcha militar. Tiros de canhão são colocados ao término da música, como forma de objetivar a repressão a um protesto. Os versos "É no sempre será, ó iaiá/ É no sempre serão" entoa o sentido metafórico da situação vivida na ditadura.

"Coração Materno"
                    Música de Vicente Celestino, criticada por muitos críticos da época, que a consideravam uma faixa desprezível, cafona. Cantada por Caetano Veloso, a interpretação une o tom rural da canção original mesclada ao arranjo de Duprat, recheada de violoncelos graves, a fim de tonalizar uma forma de opereta dramática. Notamos a "bagunça" idealizada em tom de lirismo e ruralidade nessa composição.


"Panis et Circencis"

                    Terceira faixa, letra de Gilberto Gil e Caetano Veloso, interpretada pelo grupo Os Mutantes, a letra traz o contraste entre os sonhos e concretizações juvenis, o nascer e morrer dos objetivos e criações da vida cotidiana.  A canção inicia-se com o coro da banda, em uma estrutura harmônica com uma sutil dissonância. Por fim a canção evolui para o psicodelismo absoluto. De repetente a música é interrompida, sendo recriado um jantar, ouve-se vozes à mesa, ruídos de talheres e a valsa “Danúbio Azul” ao fundo. O psicodelismo é crescente, com ruídos de copos a espatifarem-se, numa metáfora do rompimento com os costumes. A música encerra-se com um corte súbito. Sua eternidade na MPB atingiria vários intérpretes ao longo das quatro décadas que se passaram desde o seu lançamento. Mas nenhuma interpretação alcançaria o clima que esta versão original de Os Mutantes alcançou.
Panis et Circencis

Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar
Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Irreverência, marca fundamental da Tropicália
 Quadro de Rubens Gershman, chamado " A Bela Lindonéia, ou A Gioconda do Subúrbio", obra que inspirou a letra da música..

"Lindonéia"
                    Faixa composta por Gilberto Gil e Caetano Veloso.
Na frente do espelho
Sem que ninguém a visse
Miss
Linda, feia
Lindonéia desaparecida

DespedaçadosAtropelados
Cachorros mortos nas ruas
Policiais vigiando
O sol batendo nas frutas
Sangrando
Oh, meu amor
A solidão vai me matar de dor

Lindonéia, cor parda
Fruta na feira
Lindonéia solteira
Lindonéia, domingo
Segunda-feira

Lindonéia desaparecida
Na igreja, no andor
Lindonéia desaparecida
Na preguiça, no progresso
Lindonéia desaparecida
Nas paradas de sucesso
Ah, meu amor
A solidão vai me matar de dor

No avesso do espelho
Mas desaparecida
Ela aparece na fotografia
Do outro lado da vida
[...]
                    A letra disserta sobre a violência sofrida por Lindonéia, contextualizando o sofrimento do povo brasileiro devido à ditadura militar. A personagem retrata a tipificação do povo brasileiro. Essa faixa já foi colocada em questão na prova da UFRGS no ano de 2009.


"Geleia Geral"
                   
                    A música, composta por Torquato Neto e Gilberto Gil, traz no título uma amostra que revela o que foi o movimento tropicalista, uma total fusão de mistura de elementos culturais e folclóricos da terra brasilis. Movimento de origem no modernismo, na escola antropofágica, de Oswald de Andrade, unia as concepções tradicionais ligadas ao modernismo visual (cabelos compridos, guitarra elétrica, ruralidade, MPB, bossa nova...).
                    A música traz uma série de referências, algumas  em tom de paródia, que representam o Brasil e nossa cultura. Podemos perceber o Manifesto Antropófago do Oswald, ao falar de "Pindorama" e citar "A alegria é a prova dos nove". O poema  "Canção do Exílio", na passagem  "Minha terra é onde o sol é mais limpo". Referência ao Hino à Bandeira, em "Salve o lindo pendão dos seus olhos". Uma  mistura total com o Canecão (casa de espetáculos carioca), a TV, a mulata, o Frank Sinatra, o barroco baiano, a carne-seca, a Mangueira e a Portela, um refrão com bumba meu boi. De forma fragmentada a música revela as várias faces de nossa cultura.

"Parque Industrial"

                    Faixa composta por Tom Zé, artista que incorpora uma grande percepção da realidade ligada ao "no-sense", característica do tropicalismo. A música apresenta uma referência às marchas militares em seu arranjo, a letra denota os efeitos da industrialização para o país, tratando o progresso de forma irônica:
"O avanço industrial / Vem trazer nossa redenção".






"Bat Macumba"
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba oh
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba
Bat Macumba ê ê, Bat Macum
Bat Macumba ê ê, Batman
Bat Macumba ê ê, Bat
Bat Macumba ê ê, Ba
Bat Macumba ê ê
Bat Macumba ê
Bat Macumba
Bat Macum
Batman
Bat
Ba
Bat
Bat Ma
Bat Macum
Bat Macumba
Bat Macumba ê
Bat Macumba ê ê
Bat Macumba ê ê, Ba
Bat Macumba ê ê, Bat
Bat Macumba ê ê, Batman
Bat Macumba ê ê, Bat Macum
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba oh
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá!
                   
                    Caetano Veloso e Gilberto Gil, autores de Bat Macumba, mesclam nessa composição uma forma de modernidade à brasileira, unindo os elementos: religião (macumba), pop (seriado televisivo) e a poesia do sincretismo. A letra perde uma sílaba a cada verso, chegando a conter uma sílaba em um verso, voltando a sua estrutura simétrica novamente no decorrer.
                    O sincretismo é representado na estrutura dos versos, que formam uma letra K (letra estrangeira, introduzida em nosso vocabulário em 1990), talvez uma bandeira de São João (típica festa folclórica de nosso país) ou uma meia bandeira do Brasil? várias interpretações podem ser notadas.
                    Quanto aos elementos de arranjo, a música refere uma reverência ou invocação religiosa, percussão afro, um violão que remete a um fraseado de guitarra elétrica junto a um coro e gritos.

 “Três Caravelas (Las Tres Carabelas)” 

                    Letra de E. Moreu e Alguero Junior, versão de João de Barro, interpretada por Caetano Veloso e Gilberto Gil. Trata-se de uma canção caribenha, a letra faz uma ode à viagem de Cristovão Colombo e suas aventuras na descoberta das Américas, em 1942.
                    Veloso inicia cantando em espanhol, enquanto Gilberto Gil faz a letra em português, os nomes das naus de Colombo aparecem adquirindo tom religioso devido á entoação junto ao refrão da música.





Enquanto Seu Lobo Não Vem"

                    Letra de Caetano Veloso,  a faixa decorre como um passeio em uma floresta escondida que finda no concreto da cidade. No ano de 1968, a esquerda tomou a postura de denunciar a ditadura instalada em 1964, a fim de  uma forma de confronto, para assim tentar derrubá-la sem medo. Dessa forma, adotou  canções de protestos como “Disparada” e “Caminhando”, com uma linguagem mais direta, sem as metáforas tropicalistas. “Enquanto Seu Lobo Não Vem” não deixa de ser uma contestação política, longe de ser alienada como a Tropicália passou a ser vista. Se para a esquerda engajada tomar o poder e acabar com a ditadura militar era a principal meta, para os tropicalistas não o era, para eles as mudanças de comportamento, a revolução sexual, vão adquirindo cada vez mais importância, e, com estas mudanças, aí sim a queda da repressão. Este diálogo entre os tropicalistas e a esquerda tradicional vai se diluindo cada vez mais. No fim do movimento, a psicodelia e o rock absorvem toda a proposta. “Enquanto Seu Lobo Não Vem” é um dos últimos diálogos com engajamento, que se iria romper para sempre quando Caetano Veloso interpretou em um festival a música “É Proibido Proibir”. Interpretada a solo por Caetano Veloso, com vocais de um coro luxuoso formado por Gal Costa e Rita Lee, a canção é um passeio pelas avenidas da ditadura, da força repressiva que se respira no ar. O passeio é interrompido pelas vozes femininas do coro, que estão sempre a repetir “Os clarins da banda militar”. A música cita a “Internacional”, o hino da revolução comunista, numa referência de que a Tropicália era muito mais do que um movimento de alienados.


Hino ao Senhor do Bonfim

                    Essa faixa desagradou profundamente aos católicos, chegando a causar movimentos religiosos contra o grupo da tropicália. Os religiosos mais fanáticos consideravam a música uma afronta á religião, uma heresia.
                    Gilberto Gil e Caetano cantam, Gal Costa entra no coro, há um hino religioso no início, interpretado por metais em tons graves. Na segunda parte a canção é entoada em ritmo de samba, mesclando o profano e religioso em uma miscelânea típica da tropicália.

                    Tropicália ou Panis et Circencis” foi um álbum que caracterizou tipicamente o movimento da tropicália, amado e idolatrado por uns e odiado e repudiado por outros. Caetano Veloso considera o melhor álbum tropicalista produzido, já Gilberto Gil confessou não gostar dele quando o viu pronto. Com influências visíveis dos Beatles, o álbum cumpriu o objetivo de sintetizar a mensagem tropicalista e trazer à luz o movimento como um todo. Depois de lançado, em julho de 1968, a Tropicália seria interrompida em dezembro, com as prisões de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Com o fim do movimento, o álbum ficaria esquecido por muitos anos, só sendo relançado quando os seus intérpretes já tinham uma carreira sólida, e alguns deles, tornaram-se estrelas máximas da MPB.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Colocação Pronominal - Videoaula de Língua Portuguesa - 28.

Língua Portuguesa - Separação Silábica:


                As palavras são separadas em partes, a isso damos o nome de sílaba. Uma sílaba nada mais é que cada parte pronunciada de uma palavra, isto é, para separarmos uma sílaba corretamente basta pronunciarmos o termo vagarosamente, porém com a forma correta de sua fonética (som).
                    
Ex.: Caderno: ca-der-no;
        Futebol: fu-te-bol;
        Incêndio:in-cên-dio.



Notamos que a cada abertura labial, ou seja, a cada vez em que abrirmos a boca uma sílaba é pronunciada.
Obs.: é importante que a pronúncia do termo seja da forma correta, isto é,mesmo que vagarosa a pronúncia deve ser exata na maneira em que a palavra é falada.

                As palavras possuem uma classificação de acordo com o número de sílabas que as mesmas possuem.

Monossílabas: São as palavras que possuem apenas uma sílaba.

Ex.: Mar: mar;
       Chá: chá;
       Céu: céu;
       Fé: fé.



Dissílabas: palavras que possuem duas sílabas em sua formação.

Ex.: Café: ca-fé;
       Moral: mo-ral;
       Chalé: cha-lé;
       Amor: a-mor.
       Osso: os-so.

Trissílabas: palavras compostas por três sílabas em sua composição.

Ex.; Estudo: es-tu-do;
       Casaco: ca-sa-co;
       Guitarra: gui-tar-ra.


Polissílabas: denominamos assim todas as palavras que apresentam quatro ou mais sílabas na sua composição.

Ex.: Estrutura: es-tru-tu-ra;
       Portuguesa: por-tu-gue-sa;
       Apostila: a-pos-ti-la;
       Felicidade: fe-li-ci-da-de.
       Motocicleta: mo-to-ci-cle-ta.





Obs.: Note que as consoantes,assim como as vogais idênticas, não ficam posicionadas em uma mesma sílaba:

Carro: car-ro, Assado: as-sa-do.






sábado, 4 de maio de 2013

LIVRO - TEORIA MUSICAL, GUITARRA, ESCALAS, RIFF'S


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O livro traz teoria, escalas, frases  e riff's  de guitarra e violão, formação de acordes, arpejos, solos, intervalos, etc.

Acompanha uma apostila de exercícios.




sábado, 20 de abril de 2013

Língua Portuguesa - Frase, oração e período:



Frase:

Em nossa língua denominamos frase como a menor unidade gramatical, ou seja, qualquer palavra que denote alguma ideia de sentido:

Ex.: fogo, bola, poste, porta, saída, dragão etc.

Em suma, qualquer palavra que pronunciamos e que apresenta algum sentido, denomina-se como uma frase.
  
Oração:

Oração dá-se por uma ideia ligada a um verbo em seu desenvolvimento.

Ex.: A menina caiu do balanço.

  A bola foi chutada em direção ao gol pelo jogador.

Paula subiu rapidamente a escada.


                Notamos grafados os verbos, assim , percebemos que uma oração necessita de um verbo para que seja assim denominada: uma ideia ligada a um verbo.


Período:

  Chamamos de período uma ideia levada até o ponto.

Ex.: Paula subiu rapidamente a escada.

O ponto caracteriza o final de um período, devido a isso, quanto há um sinal de pontuação indicando que ainda falta uma ideia a ser colocada não é caracterizado um período. Então, se tivéssemos a mesma ideia, porém com um ponto de interrogação ao final, não teríamos um período.

Ex.: Paula subiu rapidamente a escada?


Os períodos classificam-se em dois tipos:


Período Simples:

  Chamamos de período simples sempre que houver apenas uma oração.

Ex.: Os lutadores fizeram uma boa luta.
  
O golpe foi fatal.
Um dos lutadores venceu a luta.


Notamos que nos três exemplos existe apenas uma oração compondo a idéia.


Período Composto:

O período composto caracteriza-se por ser formado por duas ou mais orações até o encerramento da ideia, ou seja, até o ponto de encerramento.


Ex.: Os lutadores fizeram uma boa luta, mas ao final apenas um saiu vencedor.

Tenho certeza: amo você.

A menina caiu do balanço, machucou o braço.

Note que em todos os exemplos existe mais de uma oração até o ponto encerrando a idéia. Podemos assim observar que os sinais de pontuação servem também,em nossa língua, com fim a separar uma oração de outra.


Período composto por subordinação:

O período composto por subordinação é aquele composto por uma oração principal (aquela que tem pelo menos um dos termos representado por uma oração subordinada) e por orações subordinadas (aquelas que exercem função sintática em outra oração).
As orações subordinadas podem ser substantivas, adjetivas e adverbiais.
Quanto às formas, elas podem ser desenvolvidas (apresentam verbos numa das formas finitas [tempos do indicativo, subjuntivo, imperativo], apresentam normalmente conjunção e pronome relativo) e reduzidas (apresentam verbos numa das formas nominais [infinitivo, gerúndio, particípio] e não apresentam conjunções nem pronomes relativos, podem apresentar preposição):
Eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto.
Eu sinto existir em meu gesto o teu gesto.
As orações subordinadas substantivas exercem funções substantivas no interior da oração principal de que fazem parte. Elas podem ser desenvolvidas ou reduzidas e são classificadas de acordo com suas seis funções: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo do sujeito e aposto.
As subordinadas substantivas subjetivas são aquelas orações que exercem a função de sujeito do verbo da oração principal:
É preciso que haja alguma coisa de flor em tudo isso.
É preciso haver alguma coisa de flor em tudo isso.
O verbo da oração principal sempre se apresenta na terceira pessoa do singular. E os verbos e expressões que apresentam essa oração como sujeito podem ser divididos em três grupos:
  • verbos de ligação mais predicativo (é bom, é claro, parece certo);
  • verbos na voz passiva sintética ou analítica (sabe-se, conta-se, foi anunciado);
  • verbos do tipo convir, cumprir, importar, ocorrer, acontecer, suceder, parecer, constar, quando na terceira pessoa do singular.
As subordinadas substantivas objetivas diretas exercem a função de objeto direto do verbo da oração principal:
Juro que direi a verdade.
Juro dizer a verdade.
Algumas objetivas diretas são introduzidas pela conjunção subordinativa integrante se e por pronomes interrogativos (onde, por que, como, quando, quando).
Essas orações ocorrem em formas interrogativas diretas:
Desconheço se ele chegou.
Desconheço quando ele chegou.
Os verbos auxiliares causativos (deixar, mandar e fazer) e os auxiliares sensitivos (ver, sentir, ouvir e perceber) formam orações principais que apresentam objeto direto na forma de orações subordinadas substantivas reduzidas de infinitivo:
Deixe-me partilhar seus segredos.
As subordinadas substantivas objetivas indiretas exercem o papel de objeto indireto do verbo da oração principal:
Aspiramos a que a situação nacional melhore.
Lembre-me de ajudá-lo em seus afazeres.
As subordinadas substantivas completivas nominais exercem papel de complemento nominal de um termo da oração principal:
Tenho a sensação de que estamos alcançando uma situação mais alentadora.
Já as subordinadas substantivas predicativas exercem o papel de predicativo do sujeito da oração principal:
Nossa constatação é que vida e morte são duas faces de uma mesma realidade.
As subordinadas substantivas apositivas exercem função de aposto de um termo da oração principal:
Só desejo uma coisa: que nossa situação melhore.
As orações subordinadas adjetivas exercem a função sintática do pronome relativo. Exerce a função sintática de adjunto adnominal de um termo da oração principal, sendo introduzida por pronome relativo (que, qual/s, como, quanto/a/s, cujo/a/s, onde). Estes pronomes relativos podem ser precedidos de preposição.
As subordinadas adjetivas dividem-se em restritivas e explicativas.
As restritivas restringem o sentido da oração principal, sendo indispensáveis. Apresentam sentido particularizante do antecedente.
O professor castigava os alunos que se comportavam mal.
As explicativas tem a função de explicar o sentido da oração principal, sendo dispensável. Apresentam sentido universalizante do antecedente.
Grande Sertão Veredas, que foi publicado em 1956, causou muito impacto.
Geralmente, as orações explicativas vêm separadas da oração principal por vírgulas ou travessões.
Os pronomes relativos que introduzem as orações subordinadas adjetivas desempenham funções sintáticas. Para esse tipo de análise, deve-se substituir o pronome relativo por seu antecedente e proceder a análise como se fosse um período simples.
O homem, que é um ser racional, aprende com seus erros - sujeito
Os trabalhos que faço me dão prazer - objeto direto
Os filmes a que nos referimos são italianos - objeto indireto
O homem rico que ele era hoje passa por dificuldades - predicativo do sujeito
O filme a que fizeram referência foi premiado - complemento nominal
O filme cujo artista foi premiado não fez sucesso - adjunto adnominal
O bandido por quem fomos atacados fugiu - agente da passiva
A escola onde estudamos foi demolida - adjunto adverbial
Cujo sempre funciona como adjunto adnominal; onde como adjunto adverbial de lugar e como será adjunto adverbial de modo.
As oração subordinadas adverbial corresponde sintaticamente a um adjunto adverbial, sendo introduzida por conjunções subordinativas adverbiais. A ordem direta do período é oração principal + oração subordinada adverbial, entretanto muitas vezes a oração adverbial vem antes da oração principal.
As orações subordinadas adverbiais podem ser do tipo:
  • Causal, fator determinante do acontecimento relatado na oração principal. (Saí apressado, porque estava atrasado)
As principais conjunções são: porque, porquanto, desde que, já que, visto que, uma vez que, como, que...
A oração causal introduzida por como fica obrigatoriamente antes da principal.
  • Consecutiva, resultado ou efeito da ação manifesta na oração principal. (Saímos tão distraídos, que esquecemos os ingressos)
As principais conjunções são: que (precedido de tão, tal, tanto, tamanho), de maneira que, de forma que...
  • Comparativa, comparação com o que aparece expresso na oração principal, buscando entre elas semelhanças ou diferenças. Pode aparecer com o verbo elíptico. (Naquele lugar chovia, como chove em Belém)
As principais conjunções são: assim como, tal qual, que, do que, como, quanto...
  • Condicional, circunstância da qual depende a realização do fato expresso na oração principal. (Sairei, se você der autorização)
As principais conjunções são: se (= caso), caso, contanto que, dado que, desde que, uma vez que, a menos que, sem que, salvo se, exceto se...
  • Conformativa, ideia de adequação, de não contradição com o fato relatado na oração principal. (Saímos na hora, conforme havíamos combinado)
As principais conjunções são: conforme, como, segundo, consoante...
  • Concessiva, admissão de uma circunstância ou ideia contrária, a qual não impede a realização do fato manifesto na oração principal. (Saímos cedo, embora o espetáculo fosse mais tarde)
As principais conjunções: embora, ainda que, se bem que, mesmo que, apesar de que, conquanto, sem que...
As conjunções concessivas sempre aparecem com verbo no subjuntivo.
  • Temporal, circunstância de tempo em que ocorreu o fato relatado na oração principal. (Saímos de casa, assim que amanheceu)
As principais conjunções são: quando, assim que, logo que, tão logo, enquanto, mal, sempre que...
  • Final, objetivo ou destinação do fato relatado na oração principal. (Fomos embora, para que não houvesse confusão)
As principais conjunções são: para que, para, a fim de que, com a finalidade de...
  • Proporcional, relação existente entre dois elementos, de modo que qualquer alteração em um deles implique alteração também no outro. (Os alunos saíram, à medida que terminavam a prova)
As principais conjunções são: à medida que, à proporção que, enquanto, ao passo que, quanto...
Uma oração pode ser subordinada a uma principal e, ao mesmo tempo, principal em relação a outra (ele age / como você / para estar em evidência)
A Norma Gramatical Brasileira não faz referência às orações adverbiais modais e locativas (introduzida por onde) - Falou sem que ninguém notasse / Estaciona-se sempre onde é proibido.
As subordinadas reduzidas apresentam duas características básicas:
  • não é introduzida por conectivos, mas equivale a uma oração desenvolvida;
  • apresenta verbo numa das três formas nominais.
Não é a falta de conectivo que determina a existência de uma oração reduzida, e sim a forma nominal do verbo.
Classificam-se em reduzida de particípio, gerúndio ou infinitivo, em função da forma verbal que apresentam.
As reduzidas de infinitivo podem vir ou não precedidas de preposição e, geralmente, são substantivas ou adverbiais, raramente adjetivas. As orações adverbiais, em geral, vêm precedidas de preposição. Entretanto, as proporcionais e as comparativas são sempre desenvolvidas.
Algumas orações reduzidas de infinitivo merecem atenção: vem depois dos verbos deixar, mandar, fazer, ver, ouvir, olhar, sentir e outros verbos causativos e sensitivos. Deixei-os fugir (= que eles fugissem) - orações subordinada substantiva objetiva direta. Este é o único caso em que o pronome oblíquo exerce função sintática de sujeito (caso de sujeito de infinitivo).
As reduzidas de gerúndio, geralmente adverbial, raramente adjetiva e coordenada aditiva. A maioria das adverbiais são temporais. Não há consecutiva, comparativa e final reduzida de gerúndio.
Segundo Rocha Lima, as orações subordinadas adverbiais modais só aparecem sob a forma reduzida de gerúndio, uma vez que não existem conj. modais. (A disciplina não se aprende na fantasia, sonhando, ou estudando)
A reduzida de particípio, geralmente adjetiva ou adverbial, também sendo mais comuns as temporais. Eventualmente, uma oração coordenada pode vir como reduzida de gerúndio.
As adjetivas reduzidas de particípio são ponto de discussão entre os gramáticos. A tendência atual é considerar estes particípios simples adjetivos (adjuntos adnominais).


 Período composto por coordenação:

O período composto por coordenação é formado por orações sintaticamente completas, ou seja, equivalentes.
Os homens investigam o mundo, descobrem suas riquezas e constroem suas sociedades competitivas.
O período acima é formada por três orações, no entanto essas orações são independentes e poderiam constituir orações absolutas, caracterizando o período composto por coordenação.
Quanto às orações coordenadas, elas estão divididas em assindéticas e sindéticas, sendo estas aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas.
As orações coordenadas assindéticas são aquelas ligadas sem o uso da conjunção:
Um pé-de-vento cobria de poeira a folhagem das imburanas, sinhá Vitória catava piolhos no filho mais velho, Baleia descansava a cabeça na pedra de amolar.
Já as orações coordenadas sindéticas são aquelas ligadas por meio de conjunções:
Dormiu e sonhou.
As orações coordenadas sindéticas aditivas são ligadas por meio de conjunções aditivas. Ocorrem quando os fatos estão em sequencia simples, sem que acrescente outra ideia. As aditivas típicas são e e nem.
Discutimos as várias propostas e analisamos possíveis soluções.
Não discutimos as várias propostas, nem (e não) analisamos quaisquer soluções.
As orações sindéticas aditivas podem também ser ligadas pelas locuções não sómas(também), tanto ... como.
Não só provocaram graves problemas, mas (também) abandonaram os projetos de reestruturação social do país.
As coordenadas sindéticas adversativas são introduzidas pelas conjunções adversativas. A segunda oração exprime contraste, oposição ou compensação em relação à anterior. As adversativas típicas são, mas, porém, contudo, todavia, entanto, entretanto, e as locuções, no entanto, não obstante, nada obstante.
Este mundo é redondo mas está ficando muito chato.
O país é extremamente rico; o povo, porém, vive em profunda penúria.
Já as coordenadas sindéticas alternativas são introduzidas por conjunções alternativas, indicando pensamentos ou fatos que se alternam ou excluem. A conjunção alternativa típica é ou. Há também os pares ora... ora, já... já, quer... quer, seja... seja.
Diga agora ou cale-se para sempre.
Ora atua com dedicação e seriedade, ora age de forma desleixada e relapsa.
As coordenadas sindéticas conclusivas são introduzidas por conjunções conclusivas. Nesse caso, a segunda oração exprime conclusão ou consequência lógica da primeira. As conjunções e locuções típicas são logo, portanto, então, assim, por isso, por conseguinte, de modo que, em vista disso, pois (apenas quando não anteposta ao verbo).
Aquela substância é altamente tóxica, logo deve ser manuseada cautelosamente.
A situação econômica é delicada; devemos, pois, agir cuidadosamente.
As coordenadas sintéticas explicativas são introduzidas por conjunções explicativas e exprimem o motivo, a justificativa de se ter feito a declaração anterior. As conjunções explicativas são que, porque pois (anteposta ao verbo).
"Vem, que eu te quero fraco."
Ele se mudou, pois seu apartamento está vazio.

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Qual das alternativas está errada? por quê?

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