sábado, 14 de maio de 2011

Aliteração - Só a Língua Portuguesa ...





Apenas a língua portuguesa nos permite escrever isso...
Aliteração: é uma figura de linguagem em que se utiliza a mesma letra inicial ou a mesma sílaba tônica nos termos que formam um texto.




Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para Papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris. Partindo para Paris, p assou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los.

Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas. Pisando Paris, permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se.

Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo... Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses. Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo.

Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir. Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas.

Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias? Papai, proferiu Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.

Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profi ssão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando.

Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus. Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito.

Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo. Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas. Pobre Pedro Paulo Pereceu pintando... '
Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar... Para parar preciso pensar. Pensei. Portanto, pronto pararei.

Após esse texto ficasem graça dizer:
'O Rato Roeu a Rica Roupa do Rei de Roma.'




(Autor desconhecido).

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Despedida do TREMA .



Não sei quem escreveu, mas quem assina é o TREMA ... é uma tremenda aula de criatividade e bom humor, com acentuada inteligência.















DESPEDIDA DO TREMA



Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema. Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüentas anos.
Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!...
O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio... A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. O dois pontos disse que eu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé.
Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?... A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K e o W, "Kkk" pra cá, "www" pra lá.
Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER. Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de medo. Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!...
Nós nos veremos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na história.

Adeus



TREMA

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Língua Portuguesa - TÉCNICAS DE REDAÇÃO















Prof.Vallim.


Hoje em dia torna-se cada vez mais fundamental a arte de uma boa escrita, devido a isso devemos aprimorar nossos fundamentos quanto a elaboração de uma produção textual. Possuir os meios para uma boa escrita é necessário por quê? Atualmente, as redações tem sido empregadas até mesmo em processo de seleção para empregos em diversas áreas, em concursos públicos e nos vestibulares é cada vez mais essencial,onde muitas universidades têm adotado mais peso global na pontuação dos candidatos a cada vestibular.




Estrutura de uma Redação:




Ao elaborarmos uma redação devemos ter os seguintes dados organizados:




Introdução:




Na introdução devemos apresentar o TEMA principal, sem um maior aprofundamento,apenas para introduzir o assunto. O tema divide-se em tema principal e temas secundários. O tema principal é o assunto propriamente dito: assunto principal sobre o qual se disserta no texto; os temas secundários são os tópicos e argumentações que irão fundamentar a estrutura do texto.


A introdução deve ser feita em um parágrafo, mínimo de quatro linhas, apenas iniciando o tema para após fundamentá-lo.


Desenvolvimento


No desenvolvimento deve-se relacionar o tema principal a suas argumentações, de forma a tornar a redação um texto verossímil ( fundamentado em uma realidade) . Deve ser estruturado em ao menos dois parágrafos, sendo colocado o tema com maior aprofundamento a fim de expor o assunto em vários aspectos descritivos.



Conclusão


A conclusão deve ser objetiva,isto é, o posicionamento do redator deve ser transparente,trazendo soluções ou visões sobre o tema discorrido, elaborada em um parágrafo.


Observações estruturais




Devemos empregar sempre a norma culta em um texto redativo, procurando a utilização de sinônimos, antônimos, sem a repetição em demasia de uma palavra durante o texto. A ordem dos períodos deve ser bem empregada dando uma sequência exata no decorrer do assunto, concordância verbal, nominal, regência,pontuação e acentuação são vigentes quanto ao bom emprego durante o texto, sendo de grande importância na nota final de uma redação.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Língua Portuguesa - Verbos - Segunda parte. Formas Rizotônicas, Arrizotônicas e verbos Defectivos

Formas Rizotônicas: Apresentam a sílaba tônica no radical.


AMo, VENDe, CHUTe...



Formas Arrizotônicas: todas as formas que apresentam a sílaba tônica fora do radical.


AMarás, VENDesse, CHUTar...


Alguns verbos apresentam somente as formas arrizotônicas.


Ex.: precaver,reaver.


Verbos Defectivos: São verbos que não possuem uma conjugação completa, não há a primeira pessoa do singular do presente do indicativo (eu),assim como presente do subjuntivo.


Demolir, abolir, banir, colorir, explodir, extorquir, fundir.


Não existem:


Eu "abulo" as horas extras.


É preciso que você "demula" aquele muro.


Como colocar ?


Eu elimino ou estou abolindo.


Que você destrua ou derrube.




Sem Rizotônicas e sem todo o presente do subjuntivo:


Adequar, falir, precaver, ressarcir.


Isso não se ADÉQUA à nossa empresa. Devemos evitar.


Isso não está adequado à nossa empresa. Maneira correta.


OBS.: O dicionário Houaiss já considera o verbo adequar com conjugação completa.


Tomara que o vendedor nos ressarça. Devemos evitar.


Tomara que o vendedor nos indenize. Maneira correta.


Computar: Sem eu,tu e ele no presente do indicativo e sem todo o presente do subjuntivo.


Fale antes que eles computem as perdas. Devemos evitar.


Fale antes que eles calculem as perdas. Maneira correta.



...continua...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Língua Portuguesa - Verbos - Primeira parte.

Os verbos são palavras que caracterizam ação,estado, fato ou fenômeno.

Conjugação:
São as variações de um verbo, caracterizam pessoa,número,modo e tempo.

1.Pessoa e número:
O verbo é flexionado a fim de indicar pessoa(masculino,feminino) e número(singular pou plural).

Primeira pessoa: quem fala. Singular: Eu. Plural: nós.
Segunda pessoa: com quem se fala. Singular: tu. Plural: vós.
Terceira pessoa: de quem se fal. Singular: ele,ela. Plural: eles,elas.

2.Modos:
Indicativo: Indica um fato real. Ex.: Douglas joga bem.
Subjuntivo: Expressa hipótese,desejo ou dúvida. Ex.: Talvez Douglas jogue, é preciso que ele jogue.
Imperativo: Caracteriza conselho,pedido ou ordem. Ex.: Jogue, Douglas! Segure minha mão.

3. Formas nominais:
Mostram um fato de maneira impessoal.

Infinitivo: Cantar,pular, sair ,correr.
Gerúndio: cantando, pulando, saindo, correndo.
Particípio: cantado, pulado, elegido,eleito, entregado, entregue.

4. Tempos:
Determinam o momento em que o fato acontece. São três:
Pretérito(passado), presente e futuro.
...continua...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Minha Pátria é a Língua Portuguesa


Fernando Pessoa


“Do retângulo da Europa passamos para algo totalmente diferente. Agora, Portugal é todo o território de Língua Portuguesa.

Os brasileiros poderão chamar-lhe Brasil e os moçambicanos poderão chamar-lhe Moçambique.

É uma Pátria estendida a todos os homens, aquilo que Fernando Pessoa julgou ser a sua Pátria: a Língua Portuguesa. Agora, é essa a Pátria de todos nós.”

Fonte: http://mil-hafre.blogspot.com/2011/02/19-de-marco-debate-cplp-nos-media-e-na.html


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Literatura - Respostas do Quiz.


1 - Machado de Assis;
2 - "Vidas Secas" de Graciliano Ramos;
3 - "Os Sertões" de Euclides da Cunha;
4 - Bernardo Guimarães;
5 - Manuel Bandeira;
6 - Jorge Amado;
7 - "Grande Sertão: Veredas" - João Guimarães Rosa;
8 - Castro Alves;
9 - Segunda Geração Romântic;
10 -Érico Veríssimo;
11 -Zélia Gattai;
12 -"Gregório de Matos" e "Vinícius de Morais";
13 -Fernando Sabino;
14 -Manuel Bandeira;
15 -José de Alencar.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Literatura - Teste seus conhecimentos.




1 - Quem é o autor de "Memórias Póstumas de Brás Cubas"?









2 - A cachorra "Baleia" é personagem do romance:









3 - Escrita no final do século XIX, é dividida em três partes: "A Terra", "O Homem" e "A Luta". Estamos falando da obra:









4 - A obra "Escrava Isaura", que foi várias vezes adaptada para televisão, é de qual autor?









5 - Participou da Semana de Arte Moderna de 1922. Ao descobrir-se tuberculoso, deixou os estudos e temendo uma morte precoce, dedicou-se a uma extensa obra poética, morreu, porém, aos 82 anos. Trata-se do poeta:









6 - A obra "Capitães da Areia", que retrata a vida dos meninos de rua de Salvador na década de 30, foi escrita por:









7 - "Riobaldo" é o personagem principal de qual obra?









8 - Qual poeta possui o epíteto "O poeta dos Escravos"?









9 - Os poetas brasileiros influenciados por Lord Byron ou "geração do Mal do Século", pertencem a:









10 - O Romance "Olhai os Lírios do Campo" foi escrito por qual autor?









11 - Quem foi a esposa de Jorge Amado?









12 - Quais poetas são, respectivamente, chamados de o "Boca do Inferno" e "O Poetinha"?









13 - Qual é o único escritor abaixo que NÃO está vivo?









14 - O livro "Estrela da Vida Inteira" reúne a obra poética de qual autor?









15 - Quem foi o maior romancista da terceira geração romântica?








Respostas em dois dias.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Literatura - A Belle Époque - Correntes de Vanguarda



Em fins do século XIX os frutos da evolução já eram diretamente presentes na sociedade, o setor industrial crescia como louco com grandes invenções A Classe média vivia um sentimento de esperança, tudo era de tamanha euforia quanto às probabilidades futuras.



Era uma época em que os bares, a vida noturna, as atividades artísticas e culturais cresciam na Europa com grande velocidade e criatividade, recebendo com isso o nome de belle époque. Esse momento foi considerado uma época de paz, crescimento e beleza da França para com seus países vizinhos na Europa.Porém, de outro lado havia a classe operária, que lutava por condições melhores de vida, sendo esse o período da criação dos movimentos operários.



O Brasil na belle époque



O Brasil também foi afetado de maneira de suma importância nesse período, às transformações urbanas devido à vinda de imigrantes foi processo atuante. O processo socioeconômico crescia de um lado as manifestações rurais; de outro o crescimento e a urbanização das áreas centro-sul.



Correntes de Vanguarda



Juntamente com as transformações do início do século XX, vários processos artísticos foram criados e de suma importância para a expressão literária futura, são eles:



Futurismo

Surgiu por meio do Manifesto do Futurismo, publicado em Paris, em 1909, assinado pelo italiano Filippo Tommaso Marinetti. Nesse documento, o primeiro de uma série (foram publicados pelo menos vinte manifestos) – Marinetti propunha:





  • O amor ao perigo, à verdade, à energia.


  • A abominação do passado: arqueologia, academicismo, nostalgia, sentimentalismo.


  • A exaltação da guerra, do militarismo, do patriotismo: “A guerra é a única higiene do mundo”.


  • A substituição da psicologia do homem (destruindo o eu na literatura) pela obsessão da matéria.


  • A incorporação de novos objetos como tema de poesia: locomotivas, automóveis, aviões, navios a vapor, fábricas, multidões de trabalhadores.


  • “Exaltação da bofetada e do soco: Não há beleza senão na luta”.


Dos manifestos que seguiram que envolveram pintura, música, escultura, moral, mulher e arte mecânica, entre outros assuntos, o mais importante foi o Manifesto Técnico da Literatura Futurista, datado de março de 1912, publicado em Milão, onde são apresentados minuciosamente os pontos básicos de uma reforma radical:





  • A destruição da sintaxe, com os substantivos dispostos ao acaso.


  • O emprego do verbo no infinitivo, para que se adapte elasticamente ao substantivo e possa dar o sentido de continuidade e da intuição que nele se percebe.


  • Abolição do adjetivo, para que o substantivo guarde sua “cor essencial”.


  • Abolição do advérbio, “que dá à frase uma cansativa unidade de tom”.


  • Supressão dos elementos de comparação: como, parecido com, assim como.


  • Substituição dos sinais tradicionais de pontuação por signos matemáticos: X-:+=>< e pelos sinais musicais.


  • Abolição de todos os clichês.


O propósito de fazer do Futurismo o estilo de arte que expressasse o progresso, a vida mecanizada, acabou fazendo desse movimento um meio de divulgação do fascismo de Mussolini. Futurismo e fascismo tinham em comum: o desprezo pela democracia e pelo socialismo, o antifeminismo, o caráter antiburguês.



A seguir, analise esse texto futurista e observe suas características: O trecho é de Álvaro Campos e chama-se: Ode Triunfal





Álvaro de Campos



(Heterônimo de Fernando Pessoa)





À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica



Tenho febre e escrevo.



Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,



Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.



Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!



Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!



Em fúria fora e dentro de mim,



Por todos os meus nervos dissecados fora,



Por todas as papilas fora de tudo com que eu [sinto!



Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos [modernos,



De vos ouvir demasiadamente de perto,



E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso



De expressão de todas as minhas sensações,



Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!



Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical -



Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força -



Canto, e canto o presente, e também o passado [e o futuro,



Porque o presente é todo o passado e todo o futuro



(...)



Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!



Ser completo como uma máquina!



Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!



Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,



Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento



A todos os perfumes de óleos e calores e carvões



Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!



(...)



Cubismo



O ponto de partida do Cubismo foi a pintura de Pablo Picasso. O quadro Les Demoiselles d’Avignon, de 1907 propunha uma nova forma de apreensão do real. Por meio de formas geometrizadas, deformadas, Picasso procura captar o objeto em simultaneidade, isto é, de vários ângulos ao mesmo tempo.



Na literatura podem ser apontados os seguintes elementos do estilo cubista:





  • A obra de arte não deve ser uma representação objetiva da natureza, mas uma transformação dela, ao mesmo tempo objetiva e subjetiva.


  • A procura da verdade deve centralizar-se na realidade pensada, criada, e não na realidade aparente.


  • A ordem cronológica deve ser eliminada. As sensações e recordações vão e vêm do presente ao passado, embaralhando o tempo.


  • A valorização do humor, a fim de afugentar a monotonia da vida nas modernas sociedades industrializadas.


  • A supressão da lógica; preferência pelo pensamento-associação, que transita entre o consciente e o subconsciente.


A técnica dos cubistas é a da representação da realidade por meio de estruturas geométricas, desmontando os objetos para que, remontados pelo espectador, deixassem transparecer uma estrutura superior, essencial. Os cubistas afirmam que as coisas nunca aparecem como elas são, mas deformadas em todos os sentidos.



Poema de Sete Faces



Carlos Drummond de Andrade







Quando nasci, um anjo torto



desses que vivem na sombra



disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.



As casas espiam os homens



que correm atrás de mulheres.



A tarde talvez fosse azul,



não houvesse tantos desejos.



O bonde passa cheio de pernas:



pernas brancas pretas amarelas.



Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu



[coração.



Porém meus olhos



não perguntam nada.



O homem atrás do bigode



é sério, simples e forte.



Quase não conversa.



Tem poucos , raros amigos



o homem atrás dos óculos e do bigode.



Meu Deus, por que me abandonaste



se sabias que eu não era Deus



se sabias que eu era fraco.



Mundo mundo vasto mundo



se eu me chamasse Raimundo,



seria uma rima, não seria uma solução.



Mundo mundo vasto mundo,



mais vasto é meu coração.



Eu não devia te dizer



mas essa lua



mas esse conhaque



botam a gente comovido como o diabo.



Gauche: termo francês, quer dizer torto, desajeitado



Dadaísmo

Surgido em Zurique, na Suíça, com o primeiro manifesto do romeno Tristan Tzara, lido em 1916, o Dadaísmo foi a mais radical das correntes de vanguarda.



O movimento nasceu no Cabaret Voltaire, ponto de encontro de artistas vindos de várias partes da Europa e que procuravam proteção contra a Primeira Guerra Mundial na neutralidade política da Suíça. Entre esses artistas estavam: Hans Arp, Marcel Jancso e Hugo Ball.



Para os dadaístas, a guerra evidenciava a crise de uma civilização cujos valores morais e espirituais já não tinham mais razão de serem preservados. Por isso, afirmavam o desejo de independência, de desconfiança para com a sociedade em geral: “Não reconhecemos nenhuma teoria. Basta de academias cubistas e futuristas: laboratórios de idéias formais”.



Numa prova dessa liberdade total, o próprio Tristan Tzara explica como surgiu o nome do movimento:



“Encontrei o nome por casualidade, inserindo uma espátula num tomo fechado do Petit Laorousse e lendo imediatamente, ao abri-lo, a primeira linha que me chamou a atenção: Dada.



Meu propósito foi criar apenas uma palavra expressiva que através de sua magia fechasse todas as portas à compreensão e não fosse apenas mais um –ISMO”.



“Dada” significa cavalo de balanço em francês, “sim” em romeno, preocupação em conduzir o carrinho do bebê em alemão, uma forma de chamar a mãe em italiano, e, em certas regiões da África, o rabo da vaca sagrada. A partir dessa plurissignificação, a obra dadaísta passa a ser improvisação, desordem, dúvida, oposição a qualquer tipo de equilíbrio.



Faziam parte das propostas dadaístas:





  • A denúncia das fraquezas por a Europa passava.


  • A recusa dos valores racionalistas da burguesia.


  • A desmistificação da arte: “a arte não é coisa séria”.


  • A negação da lógica, da linguagem, da arte e da ciência.


  • A abolição da memória, da arqueologia, dos profetas e do futuro.


No último manifesto do movimento (ao todo foram sete), Tzara dá uma receita para fazer um poema dadaísta:



Pegue um jornal.



Pegue a tesoura.



Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.



Recorte o artigo.



Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.



Agite suavemente.



Tire em seguida cada pedaço um após o outro.



Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.



O poema se parecerá com você.



E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.



Certos de que a arte não precisa ser compreensível, os dadaístas inventaram a técnica dos ready mande, que consiste em retirar um objeto do uso corrente de seu ambiente normal, para criar máquinas impossíveis de utilização. Marcel Duchamp, um dos mais geniais criadores do ready made, expôs, entre outras coisas, uma roda de bicicleta cravada num banco e um urinol. Pintou também, certa vez, uma Mona Lisa decorada com bigodes.



As exposições dadaístas visavam sobretudo provocar escândalo. A mais sensacional de todas foi realizada em Colônia, na Alemanha, em 1920.



Expostos numa cervejaria, os ready made aguardavam os visitantes, que recebiam um martelo ao entrarem no recinto, a fim de destruírem as obras de que não gostassem. Bebidas alcoólicas foram distribuídas em abundância. Em meio à confusão, uma jovem vestida de primeira comunhão recitava poemas pornográficos. A mostra foi fechada pela polícia, mas atingiu seu objetivo: escandalizou a burguesia.



Com o tempo, o Dadaísmo irradiou-se para outros centros, como Nova Iorque, Berlim, Colônia, Hannover e Paris. A partir da década de 1950, apareceram, sobretudo nos Estados Unidos, movimentos neodadaístas são chamados de “arte do lixo” e a pop-art, baseadas nas mesmas idéias de protesto e de antiarte.



Leia um texto dadaísta:





Parafins gatins alphaluz sexohnei la guerrapaz



Ourake palávora driz okê Cris expacial



Projeitinho imanso ciumortevida vidavid



Lambetelho frúturo orgasmaravalha-me Logun



Homenina nel parais de felicidadania:



Outras palavras (Caetano Veloso)



Surrealismo

O Surrealismo foi o último dos movimentos de vanguarda. Surgiu em 1924, em Paris, quando André Breton lançou o Manifesto do Surrealismo.



O movimento nasceu de uma ruptura com o Dadaísmo. Enquanto os dadaístas insistiam na mera destruição, o niilismo e na autofagia, Breton e outros artistas como Louis Aragon e Salvador Dali achavam que a ação demolidora deveria somente uma das etapas do processo criativo. Queriam elaborar uma nova cultura, encontrar um caminho de acesso às zonas profundas do psiquismo no humano. Questionando a sociedade e a arte, eles se propunham destruí-la, para recriá-la a partir de técnicas renovadoras.



Os surrealistas procuravam fundir a imaginação, que dorme no inconsciente, com a razão. Juntar o maravilhoso do sonho, dos estados de alucinação e até de loucura do homem, com o maravilhoso e externo: a fantasia e a realidade unidas permitiram captar uma super-realidade.



Eram propostas dos surrealistas:



Abolição da lógica. Recusavam o racionalismo absoluto que permite apenas captar os fatos relacionados unicamente com a nossa experiência.



Valorização do inconsciente. Apoiados na pesquisas de Sigmund Freud, que identifica zonas (o subconsciente e o inconsciente) muito importantes para a ação do ser humano, procuram a inspiração nos sonhos.



Atribuição de um caráter lúdico à arte. A poesia deixa de ser em entendida como canto ou como meio de comunicação de vivências, para se tornar ação mágica, mito, meio de conhecimento:







  • Automatização da escrita. O texto deve ter como preocupação maior captar o funcionamento real do pensamento. Os pensamentos devem ser exprimidos caoticamente, tal como nos ocorrem, sem preocupação com o ordenamento lógico.


  • Presença do humor negro. Com o propósito de fugir aos lugares-comuns, os surrealistas juntam muitas vezes uma palavra logicamente adequada a uma outra absurda, produzindo imagens insólitas, como: anjo torto, cadáver agradável, morte feliz, etc.


Leia um texto surrealista:



As realidades







(fábula)



Era uma vez uma realidade



com suas ovelhas de lã real



a filha do rei passou por ali



E as ovelhas baliam que linda que está



a re a re a realidade.



Na noite era uma vez



uma realidade que sofria de insônia



Então chegava a madrinha fada



e realmente levava-a pela mão



a re a re a realidade.



No trono havia uma vez



um velho rei que se aborrecia



e pela noite perdia o seu manto



e por rainha puseram-lhe ao lado



a re a re a realidade.



CAUDA: dade dade a reali



dade dade a realidade



A real a real



idade idade dá a reali



ali



a re a realidade



era uma vez a REALIDADE.



(Louis Aragon)



No Brasil, o precursor do modernismo foi a semana de arte moderna





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