sábado, 26 de março de 2011

Feliz Aniversário PORTO ALEGRE !


Parabéns à nossa capital...

Cidade bonita e tal.

Terra dos gaúchos

E do Estado que dá frutos.


Antiga Porto dos Casais,

Cidade orgulho do BRASIL.

Tem o ceu mais anil,

Cresce a cada dia mais.


Aqui há grandes belezas...

E um povo Farroupilha.

E tem o rio das profundezas...

No Gasômetro, o pôr so Sol...

Mas que beleza.

Vallim.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Carlos Drummond de Andrade - Biografia.


Nasceu em ltabira (MG) em 1902. Fez os estudos secundários em Belo Horizonte, num colégio interno, onde permaneceu até que um período de doença levou-o de novo para ltabira. Voltou para outro internato, desta vez em Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro. Pouco ficaria nessa escola: acusado de "insubordinação mental" - sabe-se lá o que poderia ser isso! -, foi expulso do colégio. Em 1921 começou a colaborar com o Diário de Minas. Em 1925, diplomou-se em farmácia, profissão pela qual demonstrou pouco interesse. Nessa época, já redator do Diário de Minas, tinha contato com os modernistas de São Paulo. Na Revista de Antropofagia publicou, em 1928, o poema "No meio do caminho", que provocaria muito comentário.

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Ingressou no funcionalismo público e em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro. Em agosto de 1987 morreu-lhe a única filha, Julieta. Doze dias depois, o poeta faleceu. Tinha publicado vários livros de poesia e obras em prosa - principalmente crônica. Em vida, já era consagrado como o maior poeta brasileiro de todos os tempos.

O nome de Drummond está associado ao que se fez de melhor na poesia brasileira. Pela grandiosidade e pela qualidade, sua obra não permite qualquer tipo de análise esquemática. Para compreender e, sobretudo, sentir a obra desse escritor, o melhor caminho é ler o maior número possível de seus poemas.

De acontecimentos banais, corriqueiros, gestos ou paisagens simples, o eu-lírico extrai poesia. Nesse caso enquadram-se poemas longos, como "O caso do vestido" e "O desaparecimento de Luísa Porto ", e poemas curtos, como "Construção".

O primeiro poema de Alguma poesia é o conhecido "Poema de sete faces", do qual transcreve-se a primeira estrofe:

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

A palavra gauche (lê-se gôx), de origem francesa, corresponde a "esquerdo" em nosso idioma. Em sentido figurado, o termo pode significar "acanhado", " inepto". Qualifica o ser às avessas, o "torto", aquele que está à margem da realidade circundante e que com ela não consegue se comunicar. É assim que o poeta se vê. Logicamente, nesta condição, estabelece-se um conflito: "eu " do poeta X realidade. Na superação desse conflito, entra a poesia, um veículo possível de comunicação entre a realidade interior do poeta e a realidade exterior.

Variantes da palavra gauche - como esquerdo, torto, canhestro - aparecem por toda a obra de Drummond, revelando sempre a oposição eu-lírico X realidade externa, que se resolverá de diferentes maneiras.

Muitos poemas de Drummond funcionam como denúncia da opressão que marcou o período da Segunda Grande Guerra. A temática social, resultante de uma visão dolorosa e penetrante da realidade, predomina em Sentimento do mundo (1940) e A rosa do povo (1945), obras que não fogem a uma tendência observável em todo o mundo, na época: a literatura comprometida com a denúncia da ascensão do nazi-fascismo.

A consciência do tenso momento histórico produz a indagação filosófica sobre o sentido da vida, pergunta para a qual o poeta só encontra uma resposta pessimista.

O passado ressurge muitas vezes na poesia de Drummond e sempre como antítese para uma realidade presente. A terra natal - ltabira - transforma-se então no símbolo da atmosfera cultural e afetiva vivida pelo poeta. Nos primeiros livros, a ironia predominava na observação desse passado; mais tarde, o que vale são as impressões gravadas na memória. Transformar essas impressões em poemas significa reinterpretar o passado com novos olhos. O tom agora é afetuoso, não mais irônico.

Da análise de sua experiência individual, da convivência com outros homens e do momento histórico, resulta a constatação de que o ser humano luta sempre para sair do isolamento, da solidão. Neste contexto questiona-se a existência de Deus.

Nos primeiros livros de Drummond, o amor merece tratamento irônico. Mais tarde, o poeta procura capturar a essência desse sentimento e só encontra - como Camões e outros - as contradições, que se revelam no antagonismo entre o definitivo e o passageiro, o prazer e a dor. No entanto, essas contradições não destituem o amor de sua condição de sentimento maior. A ausência do amor é a negação da própria vida. O amor-desejo, paixão, vai aparecer com mais freqüência nos últimos livros.

Depois da morte de Drummond, reuniu-se no livro O amor natural uma série de poemas eróticos mantidos em sigilo e que foram associados a um suposto caso extraconjugal mantido pelo poeta. Verdadeiro ou não o caso, interessa é que se trata de poemas bem audaciosos, em que se explora o aspecto físico do amor. Alguns verão pornografia nestes poemas; outros, o erotismo transformado em linguagem da melhor qualidade poética.
José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Metalinguagem: a reflexão sobre o ato de escrever fez parte das preocupações do poeta.

O tempo é um dos aspectos que concede unidade à poesia de Drummond: o tempo passado, o presente e o futuro como tema.

Toda a trajetória do poeta - qualquer que seja o assunto tratado - marca-se por uma tentativa de conhecer-se a si mesmo e aos outros homens, através da volta ao passado, da adesão ao presente e da projeção num futuro possível.

O passado renasce nas reminiscências da infância, da adolescência e da terra natal. A adesão ao presente concretiza-se quando o poeta se compromete com a sua realidade histórica (poesia social). O tempo futuro aparece na expectativa de um mundo melhor, resultante da cooperação entre todos os homens.

Obras:

Poesia: Alguma poesia (1930); Brejo das almas (1934); Sentimento do mundo (1940); Poesias (1942); A rosa do povo (1945); Claro enigma (1951); Viola de bolso (1952); Fazendeiro do ar (1954); A vida passada a limpo (1959); Lição de coisas (1962); Boitempo (1968); As impurezas do branco (1973); A paixão medida (1980); Corpo (1984); Amar se aprende amando (1985); O amor natural (1992).

Prosa: Confissões de Minas (1944) - ensaios e crônicas; Contos de aprendiz (1951); Passeios na ilha (1952) - ensaios e crônicas; Fala, amendoeira (1957) - crônicas; A bolsa e a vida (1962) - crônicas e poemas; Cadeira de balanço (1970); O poder ultrajovem e mais 79 textos em prosa e verso (1972) - crônicas; Boca de luar (1984
) - crônicas; Tempo vida poesia (1986).

TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO:


Alguns termos aparecem na oração completando o sentido de outros; tornam-se, assim, indispensáveis para uma correta e completa compreensão da oração.

COMPLEMENTOS VERBAIS

Objeto Direto

Objeto direto é o termo da oração que completa a significação de um verbo transitivo direto sem auxílio de preposição obrigatória.

Carlos vendia livros.
Ele pode estar completando o sentido de um verbo transitivo direto e indireto.
Oferecemos uma medalha ao primeiro colocado.

2. Objeto Indireto

Objeto indireto é o termo da oração que completa a significação de um verbo transitivo indireto, sempre com o auxílio de uma preposição.

Carlos gosta de música.

COMPLEMENTO NOMINAL

Complemento Nominal

Complemento nominal é o termo da oração que se liga a um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), sempre através de preposição, com a função de completar o sentido desse nome.

O povo tinha necessidade de alimentos.
Esse remédio é prejudicial ao organismo.
Falou favoravelmente ao réu.

Agente da passiva

Agente da passiva é o termo da oração que se refere a um verbo na voz passiva, sempre introduzido por preposição, e indica o elemento que executa a ação verbal.

As terras foram desapropriadas pelo governo.

terça-feira, 15 de março de 2011

Desafio: pontue corretamente.


Aí vai um desafio para quem quiser testar seus conhecimentos de Língua Portuguesa. Trata-se de um teste realizado em um curso na American Airlines. Na frase abaixo deverá ser colocado 1 ponto e 2 vírgulas para que a frase tenha sentido.

PENSE antes de ver a resposta que está ao final da postagem. Afinal, assim não seria um teste.


Essa já é difícil para brasileiro. Imagine para americano...




MARIA TOMA BANHO PORQUE SUA MÃE DISSE ELA PEGUE A TOALHA.







RESPOSTA :

Maria toma banho porque sua. Mãe, disse ela, pegue a toalha.

A 'pegadinha' está no fato do uso do verbo suar, confundindo com o pronome possessivo (sua)...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

CAMPANHA: TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES

"No futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e ficamos todos tristes.
Na educação é o 85º e ninguém reclama..."
Uma campanha: TROQUE 01 PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES, isto é: 344 professores QUE ENSINAM = Custo de um parlamentar

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Literatura- Resumos literários e análise para o Vestibular: Memórias Póstumas de Brás Cubas


Com Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado em 1881, Machado de Assis inaugura o
Realismo nas Letras brasileiras. A partir dessa obra, ele se revela um arguto observador e
analista psicológico dos personagens. O ritmo da obra é lento, com várias digressões; é
narrado de maneira irreverente e irônica por um "defunto autor" (e não um "autor defunto",
como podem pensar). Brás Cubas, por estar morto, se exime de qualquer compromisso com a
sociedade, estando livre para criticá-la e revelar as hipocrisias e vaidades das pessoas com
quem conviveu.

Brás Cubas vai contando a sua vida, os vários episódios que a compõem. Fala sobre a
prostituta de luxo espanhola - Marcela -, que o amou "durante quinze meses e onze contos de
réis". Para livrar-se dela, os pais de Brás Cubas decidem mandá-lo para a Europa. Volta doutor,
a tempo de ver a mãe antes de morrer.

Acerca de seu amigo de escola, Quincas Borba, afirma:

"Uma flor, o Quincas Borba. Nunca em minha infância, nunca em toda a minha vida, achei um
menino mais gracioso, inventivo e travesso"

Quando este reencontra o protagonista, anos depois, conclui:

"Aposto que me não conhece, Senhor Doutor Cubas? disse ele. Não me lembra... Sou o Borba,
o Quincas Borba. (...)

O Quincas Borba! Não; impossível; não pode ser. Não podia acabar de crer que essa figura
esquálida, essa barba pintada de branco, esse maltrapilho avelhentado, que toda essa ruína
fosse o Quincas Borba. E era."

Pouco depois, Quincas Borba aparece rico e filósofo, herdeiro de uma grande fortuna e
propagador do Humanitismo.

O seu projeto político de Brás nunca alcançou sucesso, o que é bem explicado no capítulo 139:
“De Como Não Fui Ministro d'Estado”

O amor por Virgília, o caso extraconjugal que teve com ela e a alegria de ter um filho também
resultam frustrados:

"Lá me escapou a decifração do mistério, (...) quando Virgília me pareceu um pouco diferente
do que era. Um filho! Um ser tirado do meu ser! Esta era a minha preocupação exclusiva
daquele tempo. Olhos do mundo, zelos do marido, morte do Viegas, nada me interessava por
então, nem conflitos políticos, nem revoluções, nem terromotos, nem nada. Eu só pensava
naquele embrião anônimo, de obscura paternidade, e uma voz secreta me dizia: é teu filho.
Meu filho! E repetia estas duas palavras, com certa voluptuosidade indefinível, e não sei que
assomos de orgulho. Sentia-me homem."


A criança morre antes de nascer, e os amantes se separam. A irmã arranja-lhe uma noiva,
Eulália, que, no entanto, morre vítima de uma epidemia. Sem conseguir ser político, Cubas,
em busca da celebridade, tenta lançar o emplastro Brás Cubas, porém vem a falecer de
pneumonia antes de realizar o seu intento.

O último capítulo é bastante elucidativo:

"Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui
ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-
me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte
de Dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras,
qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí
quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me
com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: Não tive
filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."

O mais importante da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas certamente não é o enredo, e
sim a linguagem utilizada por Machado de Assis, a qual revela a denúncia tácita da sociedade,
por meio da leve ironia e humor.

Considerações Gerais

A ruptura com a narrativa linear

Os fatos e as ações não seguem um fio lógico ou cronológico; obedecem a um ordenamento
interior e são relatados à medida que afloram à consciência ou à memória do narrador, num
processo que se aproxima do impressionismo.

A organização metalinguística do discurso narrativo

É comum, na ficção machadiana, que o narrador interrompa a narrativa para, com saborosa e
bem-humorada bisbilhotice, comentar com o leitor a própria escritura do romance, fazendo-o
participar de sua construção; ou ainda, para dialogar sobre uma personagem, refletir sobre um
episódio do enredo ou tecer suas digressões sobre os mais variados assuntos. Machado
assume a posição de quem escreve e, ao mesmo tempo, se vê escrevendo. Esses comentários
à margem da narração constituem o principal interesse, pois neles está a mensagem artística
do escritor.

O universalismo

Machado captou, na sociedade carioca do século XIX, os grandes temas de sua obra. O seu
interesse jamais recaiu sobre o típico, o pitoresco, a cor local, o exótico, tão ao gosto dos
românticos. Buscou, na sociedade do seu tempo, o universal, a essência humana, os grandes
valores filosóficos: a essência e a aparência; o caráter relativo da moral humana; as
convenções sociais e os impulsos interiores; a normalidade e a loucura, o acaso, o ciúme, a
irracionalidade, a usura, a crueldade. A pobreza de descrições, a quase ausência da paisagem
são ainda desdobramentos dessa concentração na análise psicológica e na reflexão filosófica.
As tramas dos romances machadianos poderiam, sem grandes prejuízos à narrativa, ser
transplantadas para qualquer época e qualquer cidade.


O pessimismo

Machado revela sempre uma visão desencantada da vida e do homem. Não acreditava nos
valores do seu tempo e, a rigor, não acreditava em nenhum valor. Mais do que pessimista ou
negativa, sua postura é niilista (nil = nada). O desmascaramento do cinismo e da hipocrisia, do
egoísmo e do interesse, que se camuflavam sob as convenções sociais, é o cerne de grande
parte da ficção machadiana. O capítulo final de Memórias Póstumas de Brás Cubas, o
antológico das negativas, é exemplo cabal do pessimismo do autor: este último capítulo é todo
de negativas.

A ironia, o humor negro

A forma de revolta de Machado era o rir, quase sempre um riso amargo que exteriorizava o
desencanto e o desalento ante a miséria física e moral de suas personagens. Observem o
texto:

“Daqui inferi eu que a vida é o mais engenhoso dos fenômenos, porque só aguça a fome, com
o fim de deparar a ocasião de comer, e não inventou os calos, senão porque eles aperfeiçoam
a felicidade terrestre. Em verdade vos digo que toda a sabedoria humana não vale um par de
botas curtas. Tu, minha Eugênia, é que não as descalçaste nunca; foste aí pela estrada da vida,
manquejando da perna e do amor, triste como os enterros pobres, solitária, calada, laboriosa,
até que vieste também para esta outra margem... O que eu sei é se a tua existência era muito
necessária ao século. Quem sabe? Talvez um comparsa de menos fizeste patear a tragédia
humana.”

Resumo

Brás Cubas, já falecido, conta, do outro mundo, as suas memórias.

“Expirei em 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e
prósperos, era solteiro, possuía trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze
amigos.” Galhofando dos ascendentes, fala da própria genealogia. Assevera que morreu de
pneumonia apanhada quando trabalhava num invento farmacêutico, um emplastro
medicamentoso. Virgília, sua ex-amante, que já não via há alguns anos, visitou-o nos últimos
dias de vida. Narra Brás Cubas um delírio que teve durante a agonia: montado num
hipopótamo foi arrebatado por uma extensa e gelada planície, até o alto de uma montanha, de
onde divisa a sucessão dos séculos.

Além dos pais, tiveram grande influência na educação do pequeno Brás Cubas três pessoas: tio
João, homem de língua solta e vida galante; tio ldelfonso, cônego, piedoso, e severo; dona
Emerenciana, tia materna, que viveu pouco tempo. Brás passou uma infância de menino
traquinas, mimado demasiadamente pelo pai. Aos dezessete anos, apaixona-se por Marcela,
dama espanhola, com quem teve as primeiras experiências amorosas. Para agradar Marcela,
Brás começa a gastar demais, assumindo compromissos graves e endivida-se. Marcela gostava
de joias, e Brás procurava fazer-lhe todos os gostos. “Marcela amou-me”, diz Brás Cubas,
“durante quinze meses e onze contos de réis.” Quando o pai tomou conhecimento dos
esbanjamentos do filho, mandou-o para a Europa: “vais cursar uma Universidade”, justificou.
Em Coimbra, Brás segue o curso jurídico e bacharela-se. Depois, atendendo a um chamado do
pai, volta ao Rio. A mãe estava moribunda. De fato, chega ao Brasil, e a mãe falece.


Passando uns dias na Tijuca, conhece Eugênia, moça bonita, mas com um defeito na perna que
a fazia coxear um pouco. Com ela mantém um romance passageiro.

O pai de Brás tem duas ambições para o filho: quer casá-lo e fazê-lo deputado. Tudo faz para
encaminhá-lo no rumo do casamento e procura aumentar o círculo de amigos influentes na
política, a fim de preparar o caminho para o futuro deputado. Assim é que Brás Cubas é
apresentado ao Conselheiro Dutra, que promete ajudar o jovem bacharel na pretendida
ascensão política. Brás, a essa altura, vem a conhecer Virgília, filha do Conselheiro Dutra, pela
qual se apaixona. Parecia, assim, que os sonhos do pai sobre Brás estavam prestes a realizar-
se: bem-encaminhado na política e quase noivo. Entretanto acontece um imprevisto: surge
Lobo Neves, que não somente lhe rouba a namorada, mas também cai nas boas graças do
Conselheiro Dutra. Vendo assim preterido o filho, o pai de Brás sente-se profundamente
desapontado e magoado. Veio a falecer dali a alguns meses, de um desastre. Virgília casa-se
com Lobo Neves e, pouco tempo depois, vê eleito deputado o marido. Mas, na verdade,
Virgília casara-se com Lobo por interesse, e ama realmente Brás Cubas. Virgília e Brás
principiam a encontrar-se com frequência e, em breve, tornam-se amantes. Lobo Neves adora
a esposa e nela confia inteiramente. Aliás, não tinha muito tempo para observar o que se
passa, já que estava entregue totalmente à política.

Brás narra o encontro que teve com seu ex-colega de escola primária, Quincas Borba, que se
tornara um infeliz mendigo de rua. Depois do encontro com Quincas, Brás percebe que o
maltrapilho lhe roubara o relógio.

Os encontros amorosos entre Virgília e Brás suscitam comentários e mexericos dos vizinhos,
amigos e conhecidos. Por esse motivo, Brás propõe a Virgília a fuga para um lugar distante.
Virgília, porém pensa no marido que a ama e na família e sugere “uma casinha só nossa,
metida num jardim, em alguma rua escondida”. A ideia parece boa a Brás, que sai remoendo a
proposta: uma casinha solitária, em alguma rua escura. Virgília e sua ex-empregada, chamada
dona Plácida, se encarregam de adornar a casa e, aparentemente, quem ali reside é Dona
Plácida. Ali os dois amantes se encontram sem maiores embaraços e sem despertar suspeitas.
Sucede que, por motivos políticos, Lobo Neves é designado para presidente de uma província
e, dessa forma, tem de afastar-se com a mulher. Brás fica desesperado e pede a Virgília que
não o abandone. Quando tudo parece sem solução, Lobo Neves , para agradar ao amigo da
família, convida Brás Cubas a acompanhá-lo, como secretário. Brás aceita. Os mexericos se
tornam mais intensos, e Cotrim, casado com Sabina, irmã de Brás Cubas, procura fazer ver ao
cunhado que a viagem seria uma aventura muito perigosa. Por superstição, Lobo Neves acaba
não aceitando o cargo de presidente, porque o decreto de nomeação saíra publicado, no
Diário Oficial, num dia 13, e Lobo Neves tinha pavor desse número, considerado fatídico.

Lobo Neves recebe uma carta anônima denunciando os amores da esposa com o amigo. Isso
faz os dois amantes se mostrarem mais reservados, embora continuem encontrando-se na
Gamboa (onde ficava a casa de dona Plácida). Ocorre, então, um acontecimento que vem
alterar a situação dos personagens: Lobo Neves é novamente nomeado presidente e, dessa
vez, parte para o interior do País, levando consigo a esposa. Brás procura distrair-se e esquecer
a separação. Aliás, o tempo se havia escoado e, embora ainda se sentisse forte e com saúde,
era já um cinquentão.


A irmã Sabina, que vinha procurando "arranjar" um casamento para Brás, volta a insistir em
seu objetivo. A candidata, uma moça prendada, chamava-se nhá-Loló. Mesmo sem
entusiasmo, Brás aparenta interesse pela pretendente, mas nhá-Loló vem a falecer durante
uma epidemia. O tempo vai passando. Mais por distração do que por idealismo, faz-se
deputado e, na assembleia, vem a encontrar-se com Lobo Neves, que havia voltado da
província. Encontra-se também com Virgília, que não tinha a beleza antiga que o havia atraído.
Assim, por desinteresse recíproco, chegam ao fim os amores entre Brás e Virgília.

Quincas Borba, o mendigo, reaparece e lhe restitui o relógio, passando a ser um frequentador
da casa de Brás. Quincas Borba estava mudado: não era mais mendigo, recebera uma herança
de um tio em Barbacena. Virara filósofo. Havia inventado uma nova teoria filosófico-religiosa,
o Humanitismo, e não falava noutra coisa. O próprio Brás Cubas passa a interessar-se muito
pelas teorias de Quincas Borba.

Morre, por esse tempo, Lobo Neves, e Virgília chora com sinceridade o marido, assim como o
havia traído - com sinceridade. Também vem a falecer Quincas Borba, que havia enlouquecido
completamente.

Brás Cubas deixou este mundo pouco depois de Quincas Borba, por causa de uma moléstia
que apanhara quando tratava de um invento seu, denominado emplastro Brás Cubas. E o livro
conclui: “Ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a
derradeira negativa deste capítulo de negativas: não tive filhos, não transmiti a nenhuma
criatura o legado de nossa miséria.”

Personagens

* Brás Cubas - narrador, morto aos 64 anos, ainda próspero e rijo.

* Marcela - grande amor de Brás Cubas, uma prostituta de elite, cujo interesse por Brás
duraria quinze meses e onze contos de réis.

* Virgília - filha do comendador Dutra; segundo o pai de Brás, Bento Cubas, a Ursa Maior
amante de Brás Cubas; casa-se com Lobo Neves por interesse.

* Quincas Borba - menino terrível que dava tombos no paciente professor Barata, colega de
escola de Brás, que o encontrará mais tarde, mendigo; rouba-lhe um relógio, mas retorna-o ao
colega após receber uma herança. Desenvolve a filosofia do Humanitismo: “ao vencedor, as
batatas; ao vencido, ódio ou compaixão”.

* Eugênia - filha de Eusébia e Vilaça, menina bela, embora manca.

* Nhá Loló - moça simplória; tinha dotes de soprano; morre de febre amarela.

* Cotrim - casado com Sabina, irmã de Brás; ambos interesseiros.

* Nhonhô - filho de Virgília.

* D. Plácida - empregada de Virgília; confidente e protetora de sua relação extraconjungal.

* Lobo Neves - casado com Virgília; homem frio e calculista.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Interpretação de Texto:

Cada vez se torna mais importante exercitarmos a interpretação textual. Nos concursos, no Enem e em exames gerais notamos que em nosso país muitos interpretam um texto apenas com uma opinião básica,enquanto uma interpretação é bem mais do que isso, vejamos a seguir alguns pontos importantes:
Entende-se por texto, um conjunto de ideias expressas através de frases, orações, parágrafos, com estilo próprio e uma estrutura própria, produzido por certo sujeito.
A estrutura de um texto varia de acordo com sua natureza. Há o texto literário e o não-literário.
O texto literário expressa opinião pessoal do autor que também é transmitida através de figuras, impregnado de subjetivismo. Já o texto não-literário preocupa-se em transmitir uma mensagem da forma mais clara e objetiva possível. Uma notícia de jornal, por exemplo, é um texto não-literário e um romance de José de Alencar é um texto literário.
Compreender um texto é levar em conta os vários aspectos que ele possui: moral, social, econômico, conforme a intenção do autor; para ratificar esses aspectos o autor se utiliza de um vocabulário condizente com sua intenção.
Então, como entender ou compreender textos em prova, se cada pessoa possui um modo específico de ver os fatos? A resposta não é simples. Não obstante o valor subjetivo do texto, ele possui uma estrutura interna que é básica e garantira uma compreensão objetiva.
Compreender um texto é ir dando conta, ao mesmo tempo, daquilo que o autor diz e de como o diz.
Para que possamos compreender um texto é necessário, antes de tudo, entendê-lo. Para isso, torna-se indispensável ter ao nosso alcance um bom dicionário, a fim de sabermos o significado das palavras que não conhecemos.
Finalmente, para compreender um texto, temos que:

 Fazer uma leitura atenta do mesmo.
 Conhecer o significado de todas as expressões e palavras nele contidas.
 Fixar com precisão o que o texto diz.
 Justificar o modo pelo o qual o diz.
 Determinar o tema, que é a essência do que nos é transmitido ( mensagem ).

Somente leituras frequentes proporcionam a habilidade de entender e interpretar textos, seja uma obra inteira (um romance ) ou fragmentos ( artigos de jornais, revistas etc. ).


IDEIAS PRINCIPAIS E SECUNDÁRIAS


Para compreendermos um texto é necessário descobrir sua estrutura interna; nela encontraremos ideias principais e secundárias e precisamos descobrir como essas ideias se relacionam.

As ideias principais giram em torno do tema central, de um assunto-núcleo contida no texto; a ela somam-se as secundárias, que só são importantes enquanto corroboradas do tema central.
Se há ideias principais e secundárias, como ocorre relação entre elas?

Muitas vezes, a técnica usada é a de explanação de ideias “em cadeia”; ocorre a explanação da ideia básica e, a seguir, o desdobramento dessa ideia nos parágrafos subsequentes, a fim de discutir, aprofundar o assunto.

A clareza e a objetividade devem caracterizar a estrutura do texto, para que as ideias nela contidas possam atingir o propósito de sua mensagem. Tal propósito, por sua vez, pode ser alcançado através dos mecanismos linguísticos que se associam às relações de coordenação e subordinação de ideias-conjunções.

Vejamos, pois, como uma série de enunciados simples, coordenados e relacionados pelo sentido, pode articular-se para formar um período complexo em que haverá uma ideia principal e outras que lhe servirão de suporte:

Júlia chegou ao Chile em 1985.

Ela não contava ainda com seis anos.

Ela teve que acompanhar a família.

Após a chegada, matriculou-se logo numa escola para estrangeiros.

Ideia mais importante: a chegada de Júlia.
Admitamos que o fato considerado mais importante seja a chegada de Júlia ao Chile. A versão do período poderia ser a seguinte:

‘“Júlia, que não contava ainda com seis anos, chegou em 1985 ao Chile, para onde ela teve de acompanhar a família, matriculando-se numa escola para estrangeiros”.
Da oração principal “Júlia chegou em 1985 ao Chile” dependem as demais.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

ENEM......cada vez mais desorganizado.

O ENEM está cada vez mais absurdo e comprovando o fato de ser um instrumento de campanha eleitoral,a prova de História tem duas questões com duas respostas , Geografia uma questão sem resposta,a de Língua Portuguesa muito fácil,enquanto outras provas semelhantes a um vestibular,requerem conhecimento mais específico. E isso sem comentar a imensa falta de organização quanto revisões,gabaritos,muito melhor o vestibular

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Literatura - Realismo

Contexto Histórico:

“O Realismo é uma reação contra o Romantismo: o Romantismo era a apoteose do sentimento; - o Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos – para condenar o que houve de mau na nossa sociedade.” Eça de Queirós.
O Realismo surgiu para acabar com a fantasia literária e o subjetivismo do Romantismo, visava mostrar os acontecimentos do dia dia da sociedade, uma forma de aproximar o povo da Literatura, pois havia uma identificação do indivíduo com o enredo realista.A poesia do final da década de 1860 já anunciava o fim do Romantismo; Castro Alves, Sousândrade e Tobias Barreto faziam uma poesia romântica na forma e na expressão, mas os temas estavam voltados para uma realidade político-social.
No Brasil considera-se 1881 como o ano inaugural do Realismo. De fato, esse foi um ano fértil para a literatura brasileira, com a publicação de dois romances fundamentais, que modificaram o curso de nossas letras: Aluísio Azevedo publica O mulato, o primeiro romance naturalista do Brasil; Machado de Assis publica Memórias póstumas de Brás Cubas, o primeiro romance realista de nossa literatura.
O Realismo reflete as profundas transformações econômicas, políticas, sociais e culturais da Segunda metade do século XIX. A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, entra numa nova fase, caracterizada pela utilização do aço, do petróleo e da eletricidade; ao mesmo tempo o avanço científico leva a novas descobertas nos campos da Física e da Química. O capitalismo se estrutura em moldes modernos, com o surgimento de grandes complexos industriais; por outro lado, a massa operária urbana avoluma-se, formando uma população marginalizada que não partilha dos benefícios gerados pelo progresso industrial mas, pelo contrário, é explorada e sujeita a condições subumanas de trabalho.

Esta nova sociedade serve de pano de fundo para uma nova interpretação da realidade, gerando teorias de variadas posturas ideológicas. Numa sequência cronológica temos o Positivismo de Auguste Comte, preocupado com o real-sensível, o fato, defendendo o cientificismo no pensamento filosófico e a conciliação da “ordem e progresso” (a expressão, utilizada na bandeira republicana do Brasil, é de inspiração contiana); o Socialismo Científico de Karl Marx e Friedrich Engels, a partir da publicação do Manifesto do Partido Comunista, em 1848, definindo o materialismo histórico (“o modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, político e intelectual em geral” – K. Marx) e a luta de classes; o Evolucionismo de Charles Darwin, a partir da publicação, em 1859, de A origem das espécies, livro em que ele expõe seus estudos sobre a evolução das espécies pelo processo de seleção natural, negando portanto a origem divina defendida pelo Cristianismo.

Características:

As características do Realismo estão intimamente ligadas ao momento histórico, refletindo, dessa forma, a postura do Positivismo, do Socialismo e do Evolucionismo, com todas as suas variantes. Assim é que o objetivismo aparece como negação do subjetivismo romântico e nos mostra o homem voltado para aquilo que está diante e fora dele, o não-eu; o personalismo cede terreno para o universalismo. O materialismo leva à negação do sentimentalismo e da metafísica.

O nacionalismo e a volta ao passado histórico são deixados de lado; o Realismo só se preocupa com o presente, o contemporâneo. As personagens são como pessoas reais, apresentam problemas psicológicos, a aparência física não relata somente belezas heroínas, como no Romantismo, ou seja, o Realismo mostra o dia a dia das ruas, assim como os fatos marcantes da época.

Resumo das Principais Obras realistas

Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) – Machado de Assis


Memória Póstumas de Brás Cubas, tem a história narrada por um "defunto-autor", que não tem mais a necessidade de mentir, já que deixou o mundo e seus sonhos. O narrador personagem traz à tona toda a precariedade da condição humana, dentro de um exemplo muito irônico.


Dom Casmurro (1899) - Machado de Assis

Bentinho, chamado de Dom Casmurro por um rapaz de seu bairro, decide atar as duas pontas de sua vida. Morando com sua mãe ( D. Glória, viúva ), José Dias (o agregado), Tio Cosme e a prima Justina, Bentinho possuía uma vizinha que conviveu como "irmã-namorada" dele , Capitolina - a Capitu . Seu projeto de vida era claro, sua mãe havia feito uma promessa, em que Bentinho iria para um seminário e tornar-se-ia um padre. Cumprindo a promessa Bentinho vai para o seminário, mas sempre desejando sair, pois se tornando padre não poderia casar com Capitu. José Dias, que sempre foi contra ao namoro dos dois, é quem consegue retirar Bentinho do seminário, convencendo D. Glória que o jovem deveria ir estudar no exterior. Quando retorna dos estudos, Bentinho consegue casar com Capitu e desde os tempos de seminário havia fundamentado amizade com Escobar que agora estava casado e sempre foi o amigo íntimo do casal. Nasce o filho de Capitu, Ezequiel. Escobar, o amigo íntimo, falece e durante o seu velório Bentinho ele percebe que o seu filho era a cara de Escobar. Embora confiasse no amigo, que era casado e tinha até filha, o desespero de Bentinho é imenso. Vão para Europa e Bentinho depois de um tempo volta para o Brasil. Capitu escreve-lhe cartas.Pouco tempo depois, Ezequiel também morre, mas a única coisa que não morre no romance é BENTINHO E SUA DÚVIDA.


Quincas Borba (1891) – Machado de Assis

Quincas Borba o Homem, tinha sido muito pobre, e conseguiu fortuna. No final da vida mostrava um certo desequíbrio mental, e acabou morrendo durante uma viagem ao Rio de Janeiro, longe de Barbacena, sua terra natal. Deixou, ao viajar, o cão sob os cuidados de Rubião, irmão de uma noiva sua que falecera antes do casamento. Ao saber da noticia da morte do amigo, Rubião dá o cachorro Quincas Borba a uma vizinha. Mas é surpreendido pela leitura do testamento em que ele é declarado seu herdeiro, desde que ele zele pela saúde e segurança do cão. Rubião e o cachorro vão para o Rio de Janeiro. Ele pretende se apossar da herança e passar a morar na corte. No trem, contudo, conhece o casal SOFIA e Cristiano PALHA e se encanta pela esposa do desconhecido, Travam amizade, e na capital, o casal oferece seus préstimos; Sofia o ajuda a encontrar e mobiliar uma casa, Palha se encarrega de arranjar um advogado para resolver suas questões legais.

O dinheiro sobe-lhe a cabeça. Passa a acreditar que ganhou real importância com ele, a ponto de poder pretender Sofia. Uma noite deixa suas intenções com Sofia claras. Ela conta tudo ao marido, que, sutilmente a faz ver as vantagens que podem tirar da situação. Mas Rubião concorda em se tornar sócio de Palha, com a mediação de um advogado arranjado por este. Índices de ascensão social do casal começam a aparecer, até que Cristiano rompe a sociedade, esfriando suas relações com Rubião. Rubião vai perdendo tudo o que tem. À medida que perde seu dinheiro, vai também perdendo sua sanidade. Tem surtos em que manifesta a certeza de ser Napoleão Bonaparte, ocasiões em que chama Sofia de Josefina. O golpe de misericórdia vem quando Palha e Sofia arrematam sua casa em leilão. Internam-no num hospício a pretexto de caridade. Ele só concorda em ir em companhia do cão. De lá fogem para Barbacena, onde ele se torna um mendigo louco, que dorme na porta da igreja, junto com o cão, e vive de esmolas. De vez em quanto, exclamava: “Ao vencedor, as batatas!”


Resumo das Principais obras Naturalistas

O Cortiço(1890) – Aluízio de Azevedo

João Romão, compra um estabelecimento comercial no subúrbio de Rio de Janeiro. Ao lado morava Bertoloza uma escrava fugida, que possuía uma quitanda e umas economias. Os dois se juntam e com o dinheiro de Bertoloza, João comprou algumas terras e aumentou sua propriedade. Para agradar Bertoleza, faz uma falsa carta de alforria. Depois de um tempo, João Romão compra mais terras e novas casas se vão amontoando na propriedade. A procura de casa é enorme, e João Romão, acaba construindo um cortiço. Ao lado vem morar o Senhor Miranda que não gosta de João Romão, nem gosta do cortiço perto de sua casa. No cortiço moram: Pombinha, que se desencaminha por culpa das más companhias; Rita Baiana, mulata que saía com Firmo; Jerônimo e sua mulher, e mais algumas pessoas.

Quase sempre tem festas no cortiço, se destacando nelas Rita Baiana como dançarina provocante e sensual, que faz Jerônimo se apaixonar. Enciumado, Firmo acaba brigando com Jerônimo e lhe da uma navalhada e foge. Naquela mesma rua, é construído outro cortiço. Os moradores do cortiço de João Romão chamam eles de "Cabeça-de-gato"; e recebem o apelido de "Carapicus". Firmo foi morar no "Cabeça-de-Gato", onde se tornou chefe. Jerônimo, arma uma emboscada para o Firmo e o mata a pauladas, e fuge com Rita Baiana. Querendo vingar a morte de Firmo, os moradores do "Cabeça-de-gato" brigam com os "Carapicus". Mas um incêndio no cortiço de João Romão põe fim à briga coletiva. João Romão, agora endinheirado, reconstrói o cortiço e pretende se casar com Zulmira, filha do Miranda. E em logo os dois, por interesse, se tornam amigos e o casamento é coisa certa. Para se livrar de Bertoleza, João Romão manda um aviso aos antigos proprietários da escrava, denunciando ela. Pouco depois, aparece a polícia na casa de João Romão para levar Bertoleza aos seus antigos donos. A escrava suicida-se, cortando o ventre.

O Mulato (1881) - Aluísio de Azevedo

Este é considerado pela como o primeiro romance naturalista no Brasil, embora não seja uma autobiografia, nele está presente muito da vida do escritor.

Um empregado de origem portuguesa, João Dias primeiro caixeiro de seu patrão, tenta por todos os meios se casar com a filha deste, Ana Rosa, pois ficaria rico. A harmonia dos planos é quebrada pelo Dr. Raimundo, de origem duvidosa, filho de uma negra, mulato pela cor e aspectos do cabelo. Com reservas é aceito pela sociedade, mas quando pretende o amor de Ana Rosa, a sociedade o reprime. O vilão é o cônego Diogo que manobra com as armas da intriga, da chantagem e da manipulação para conseguir que o rival amoroso de Raimundo, João Dias, o assassinasse à traição, libertando a cidade de sua presença indesejada.


O Ateneu - Raul Pompéia

O Ateneu é uma das obras mais importantes do Realismo brasileiro. Trata-se de uma narrativa na primeira pessoa, em que o personagem Sérgio, já adulto conta sobre seu tempo de aluno interno no Colégio Ateneu. A ação do livro transcorre no internato, onde convivem crianças, adolescente, professores e empregados. O romance se inicia com o pai de Sérgio advertindo "Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu”. Dr. Aristarco é o diretor do colégio, que visava apenas o lucro. Tinha o sonho de ver um busto com a sua face. Sérgio vai narrando as decepções, os medos, as dúvidas, a rígida disciplina, as amizades, os acontecimentos em torno da própria sexualidade. O romance é um diário de um internato: as aulas, a sala de estudos, a diversão nos banhos de piscina, as leituras, o recreio, o que acontecia nos dormitórios, no refeitório as disputas. O mundo da escola é sempre visto e retratado a partir da perspectiva particular de Sérgio. Misturando alegria e tristezas, decepções e entusiasmos, Sérgio, pacientemente reconstrói, por meio da memória , a adolescência vivida e perdida entre as paredes do famoso internato. A obra acaba com o incêndio do Ateneu pelo estudante Américo. No incêndio o diretor fica perdido, estático com o que está acontecendo com seu patrimônio e naquele mesmo dia é abandonado pela esposa.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Lingua - Figuras de Linguagem

Figuras de Linguagem

São recursos especiais que o falante ou escritor usa para transmitir sua comunicação com mais intensidade e beleza.
Podemos classificá-las em três grupos:

1) Figuras de palavras (ou tropos)
2) Figuras de construção (ou de sintaxe)
3) Figuras de pensamento
Figuras de palavras

a) Metáfora: É uma espécie de comparação. Consiste em usar uma palavra com sentido diferente do que lhe é próprio.

Ex: Nero era um monstro.
Doces crianças.

b) Metonímia: É o uso de uma palavra por outra na qual existe uma relação através de uma circunstância de causa, efeito, origem, etc.

Ex: Nas horas de folga consultava Herculano. (o autor pela obra)
Tomou uma taça de vinho. (o continente pelo conteúdo)

c) Sinédoque: Consiste em aumentar ou diminuir a significação própria de um vocábulo. É muito parecido com a Metonímia.

Ex: Ele não tinha teto. (= lar, casa)

d) Catacrese: É o uso de um termo figurado pela falta de palavra própria. É uma espécie de Sinédoque.

Ex: Os pés da cadeira.
A boca do forno.

e) Perífrase: É uma palavra ou expressão que designa os seres por algum de seus predicados, atributos.

Ex: O príncipe dos poetas. (Olavo Bilac)
Cidade Sorriso. (Porto Alegre)
O Rio da Unidade Nacional. (São Francisco)

Figuras de Construção:

a) Elipse: É quando um dos termos da oração está omisso, mas facilmente podemos identificá-lo.

Ex: Fomos ao cinema ontem. (elipse do sujeito nós)
Os homens fazem as leis, as mulheres os costumes. (elipse do verbo fazer)

b) Pleonasmo: É o emprego de palavras redundantes para reforçar a expressão.

Ex: Vi claramente visto.
Desci para baixo.

c) Polissíndeto: É a repetição do conetivo intencionalmente.

Ex: Corre, e brinca, e canta alegremente.

Anacoluto: É a interrupção do fio da frase, ficando termos sintaticamente desligados do resto do período.

Ex: “Eu não me importa a desonra do mundo.” (Camilo)

d) Onomatopéia: São palavras que imitam o som ou a voz dos seres.

Ex: “Tíbios flautins finíssimos gritavam.” (Olavo Bilac)

e) Inversão: Consiste em alterar a ordem natural dos termos da oração.

Ex: “Vamos dormir dos astros sob o manto.” (Salvador Mendonça)

f) Reticência: Consiste em interromper o pensamento.

Ex: Jovens todos vocês são... são... não sei se devo dizer.

g) Silepse: É a concordância que fazemos não com os termos expressos mas sim com a ideia que eles associam em nossa mente.

1 – Silepse de gênero:

Ex: Vossa Majestade será notificado de tudo. (a palavra destacada concorda com o sexo da pessoa e não com a palavra Majestade).

2 – Silepse de número:

Ex: Corria gente de todos os lados, e gritavam. (Mário Barreto)
(O sujeito, gente, não concordou com o verbo, pois o verbo concorda com a ideia de mais de uma pessoa).

3 – Silepse de pessoa:

Ex: Dizem que os gaúchos somos exigentes. (há inclusão do autor da frase entre os gaúchos, por este motivo o verbo está na 1ª pessoa do plural e não na 3ª pessoa).

Figuras de pensamento

a) Eufemismo: É o abrandamento de expressões molestas.

Ex: Sofria do Mal do Século. (tuberculose)
O malandro abotoou o paletó. (morreu)

b) Hipérbole: É uma afirmação exagerada.

Ex: Chorou rios de lágrimas.
Decorou dez mil versos.

c) Antítese: É a aproximação de palavras de sentido contrário.

Ex: O ódio e o amor são duas virtudes.
Enquanto uns nascem outros morrem de fome.

d) Ironia: É quando dizemos o contrário do que estamos pensando.

Ex: Fizeste um ótimo trabalho! (para não dizer péssimo)

e) Apóstrofe: É a interrupção que faz o escritor ou orador, dirigindo-se a pessoas ou coisas ausentes ou presentes.

Ex: Naquele tempo, como dizia Jesus Cristo, todos somos irmãos...


f) Prosopopeia ou Personificação: É quando emprestamos vida aos seres inanimados, agindo desta forma como se fossem pessoas humanas.

Ex: Lá fora no jardim a flor que o luar acaricia.
Gemia a flor branca de terror.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

PARABÉNS GRÊMIO


FELIZ ANIVERSÁRIO IMORTAL TRICOLOR:
O Grêmio não é apenas uma equipe de futebol; o imortal tricolor supera todas as expectativas de um clube futebolístico.....é uma essência de vida, ser gremista é como ganhar na loteria em alma, em sentido, é possuir uma vibração conhecida por poucos através do esporte...é mais que uma religião: é fé,crença...
...ser tricolor é como ser um guerreiro espartano, é crer que aos 44 minutos do segundo tempo, perdendo por 1x0, ainda há chance de sair vencedor...e muitas vezes isso acontece, o Grêmio já foi espartano inúmeras vezes...contra arbitragens, contra "FLAMENGOS,PALMEIRAS,SÃOPAULOS,VASCOS,HAMBURGOS,PENHAROIS "E inters da vida......somos uma nação, virada em emoção e crença, acima de tudo sentimento....obrigado Grêmio por ser o máximo que um clube pode ser no esporte, GRÊMIO, SEMPRE GRÊMIO....PARABÉNS GRÊMIO...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Literatura - poema - Canção para álbum de moça - Carlos Drummond de Andrade

Bom dia: eu dizia à moça
que de longe me sorria.
Bom dia: mas da distância
ela nem me respondia.
Em vão a fala dos olhos
e dos braços repetia
bom-dia a moça que estava
de noite como de dia
bem longe de meu poder
e de meu pobre bom-dia.
Bom-dia sempre: se acaso
a resposta vier fria ou tarde vier,
contudo esperarei o bom-dia.
E sobre casas compactas
sobre o vale e a serrania
irei repetindo manso
a qualquer hora: bom dia.
Nem a moça põe reparo
não sente, não desconfia
o que há de carinho preso
no cerne deste bom-dia.
Bom dia: repito à tarde
à meia-noite: bom dia.
E de madrugada vou
pintando a cor de meu dia
que a moça possa encontrá-lo
azul e rosa: bom dia.
Bom dia: apenas um eco na mata
(mas quem diria)
decifra minha mensagem,
deseja bom o meu dia.
A moça, sorrindo ao longe
não sente, nessa alegria,
o que há de rude também
no clarão deste bom-dia.
De triste, túrbido, inquieto,
noite que se denuncia
e vai errante, sem fogos,
na mais louca nostalgia.
Ah, se um dia respondesses
Ao meu bom-dia: bom dia!
Como a noite se mudara
no mais cristalino dia!

Postagem mais Recente

Concordância Nominal ? O básico está aqui.

CONCORDÂNCIA NOMINAL                                 O artigo, o adjetivo, o pronome adjetivo e o numeral concorda...

Postagens mais Visitadas