sábado, 21 de agosto de 2010

Lingua -Texto literário e texto não-literário



Relacionando o texto literário ao não-literário, devemos considerar que o texto literário tem uma dimensão estética, plurissignificativa e de intenso dinamismo, que possibilita a criação de novas relações de sentido, com predomínio da função poética da linguagem. É, portanto, um espaço relevante de reflexão sobre a realidade, envolvendo um processo de recriação lúdica dessa realidade. No texto não-literário, as relações são mais restritas, tendo em vista a necessidade de uma informação mais objetiva e direta no processo de documentação da realidade, com predomínio da função referencial da linguagem, e na interação entre os indivíduos, com predomínio de outras funções.

A produção de um texto literário implica:
• a valorização da forma
• a reflexão sobre o real
• a reconstrução da linguagem
• a plurissignificação
• a intangibilidade da organização linguística

2.1 valorização da forma

O uso literário da língua caracteriza-se por um cuidado especial com a forma, visando a exploração de recursos que o sistema linguístico oferece, nos planos fônico, prosódico, léxico, morfossintático e semântico.

Não é o tema, mas sim a maneira como ele é explorado formalmente que vai caracterizar um texto como literário. Assim, não há temas específicos de textos literários, nem temas inadequados a esse tipo de texto.

Os dois textos que seguem têm o mesmo tema - o açúcar: no primeiro, a função poética é predominante. É uma das razões para ser considerado um texto literário. Já no segundo, puramente informativo, há o predomínio da função referencial.

"O açúcar" (Ferreira Gullar. Toda poesia. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1980, pp.227-228)

O açúcar


O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.

Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.

Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.

"A cana-de-açúcar" (Vesentini, J.W. Brasil, sociedade e espaço. São Paulo, Ática, 1992, p.106)

A cana-de-açúcar

Originária da Ásia, a cana-de-açúcar foi introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses no século XVI. A região que durante séculos foi a grande produtora de cana-de-açúcar no Brasil é a Zona da Mata nordestina, onde os férteis solos de massapé, além da menor distância em relação ao mercado europeu, propiciaram condições favoráveis a esse cultivo. Atualmente, o maior produtor nacional de cana-de-açúcar é São Paulo, seguido de Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Além de produzir o açúcar, que em parte é exportado e em parte abastece o mercado interno, a cana serve também para a produção de álcool, importante nos dias atuais como fonte de energia e de bebidas. A imensa expansão dos canaviais no Brasil, especialmente em São Paulo, está ligada ao uso do álcool como combustível.

Comentários sobre os textos: "O açúcar" e "A cana-de-açúcar"

O texto "O açúcar" parte de uma palavra do domínio comum - açúcar - e vai ampliando seu potencial significativo, explorando recursos formais para estabelecer um paralelo entre o açúcar - branco, doce, puro - e a vida do trabalhador que o produz - dura, amarga, triste.

a) associações lexicais entre vocábulos do mesmo campo semântico:

açúcar açucareiro doçar
dissolver usina
cana
canavial
plantar
colher mercearia
comprar
vender

b) relações antitéticas: vida amarga e dura x açúcar branco e puro

c) comparações: a comparação é o confronto de ideias por meio de conectivos, de palavras que explicitam o que está sendo comparado. Na comparação, um termo se define em função do que sabemos de outro:

"Vejo-o [o açúcar] puro e afável como beijo de moça

(como) água na pele

(como) flor que se dissolve na boca

No texto "A cana-de-açúcar", de expressão não-literária, o autor informa o leitor sobre a origem da cana-de-açúcar, os lugares onde é produzida, como teve início seu cultivo no Brasil, etc.

Para caracterizar ou explicitar a diferença entre função informativa e função artístico-literária da linguagem, através do confronto entre um determinado dado da realidade e o mesmo dado, reaproveitado em uma obra artística, podem ser comparadas as seguintes situações:
a) o barulho de buzinas na rua e uma música que use esse mesmo som;
b) o som de vozes de crianças brincando e a música Domingo no Parque (Gilberto Gil);
c) o som de uma cavalgada e a música Disparada ( Geraldo Vandré );
d) uma foto de jornal - uma foto dos sem-terra e um quadro - Os retirantes, de Portinari - com o mesmo tema da foto;
e) várias cenas do cotidiano e uma colagem de Glauco Rodrigues;
f) imagens de pessoas se movimentando e uma escultura representando pessoas;
g) uma pequena crítica sobre a passagem de uma escola de samba e a música Foi um rio que passou em minha vida ( Paulinho da Viola).

2.2 reflexão sobre o real

Em lugar de apenas informar sobre o real, ou de produzi-lo, a expressão literária é utilizada principalmente como um meio de refletir e recriar a realidade, reordenando-a. Isso dá ao texto literário um caráter ficcional, ou seja, o texto literário interpreta aspectos da realidade efetiva, de maneira indireta, recriando o real num plano imaginário.

Refletindo a experiência cultural de um povo, o texto literário contribui para a definição e para o fortalecimento da identidade nacional. Por isso, num país como o Brasil, onde as características culturais precisam ainda ser revitalizadas e valorizadas, as artes desempenham um papel muito importante.

A título de exemplo, citamos Platão e Fiorin (1991), que dizem: "Graciliano Ramos, em VIDAS SECAS, inventou um certo Fabiano e uma certa Sinhá Vitória para revelar uma verdade sobre tantos fabianos e sinhás vitórias, despossuídos de quase todos os bens materiais e culturais, e por isso degradados ao nível da animalidade."

2.3 recriação da linguagem (desautomatização)

No texto literário, relacionada ao processo de recriação do real, ocorre a desautomatização da linguagem. Assim, pela reinvenção dos procedimentos linguísticos normalmente utilizados no cotidiano, a expressão literária desconstrói hábitos de linguagem, baseando sua recriação no aproveitamento de novas formas de dizer. O uso estético da linguagem pressupõe criar novas relações entre as palavras, combinando-as de maneira inusitada, singular, revelando assim novas formas de ver o mundo.

sábado, 14 de agosto de 2010

Literatura - Romantismo

O Romantismo foi causador de grande insatisfação por parte das mulheres brasileiras, haja vista a vida que levavam em comparação às heroínas literárias.
O Romantismo foi um movimento criado pela classe burguesa, em oposição à monarquia. Com a autoridade imposta pelos Reis a classe burguesa foi muito prejudicada, pois perdeu inúmeras posses devido ao fato dos Reis entregarem suas terras por motivos em benefício próprio ou políticos a pessoas de seus interesses. Isso explica o fato da negação do poder dos Reis meio as primeiras histórias românticas, aonde sempre um rei era desafiado em seu poder dito supremo.
Entre a segunda metade do século XVIII e primeiro do século XIX, com pequenas variações cronológicas de um país para outro, instala-se uma nova estética literária caracterizada basicamente por dois aspectos: a liberdade criadora do artista e a valorização de seu mundo pessoal, através do predomínio da emoção sobre a razão. Além de analisar estas duas características básicas, convém destacar, ainda, vários outros traços da obra romântica:


Anseio de liberdade criadora:
Opondo-se aos ideais clássicos, revividos pelo Arcadismo, o artista romântico nega o princípio de mimesis (imitação) e busca expressar sua realidade interior, sem se preocupar com a forma. Não segue modelos, abandona as rígidas regras de métrica e rima; busca exteriorizar livremente o que lhe vai à alma: liberta seu inconsciente, foge da realidade para um mundo por ele idealizado, de acordo com as suas próprias emoções e desejos. Este anseio de liberdade relaciona-se às teorias de liberdade econômica, visto que as realizações e empreendimentos da burguesia ascendente encontravam apoio no liberalismo. Assim, a arte literária, reflexo de sua época, busca também afirmar-se em sua busca da liberdade criadora.
Subjetivismo
:A realidade é vista através da atitude do escritor. Não existe a preocupação em fazer um retrato fiel e verídico da realidade, pois esta é oferecida ao leitor filtrada e mesmo distorcida pelas emoções do autor. O predomínio de verbos e pronomes possessivos em primeira pessoa ressalta o desejo de trazer à tona os sentimentos interiores, projetando-os sobre o mundo exterior.
Evasão ou escapismo
A queda dos regimes absolutistas e a ascensão da burguesia provocam, inicialmente, uma fase de euforia, em que se acredita que os ideais de Liberdade – Igualdade – Fraternidade, pregados pela Revolução Francesa, irão se concretizar. Cedo, porém, percebe-se que nem todas as classes sociais terão o direito de atingir esses ideais, pois a distância entre a burguesia capitalista industrial e o proletariado se aprofunda cada vez mais. Assim, desiludidos com seu próprio tempo e insatisfeitos com a realidade que os cerca, muitos autores românticos mergulham no chamado “mal do século”, postura de frustração e imobilismo em face da realidade. Descontentes com a época em que vivem, buscam formas de fugir dela, através de evasões:
_ no tempo: voltando em pensamento a época de sua infância, em que se sentiam protegidos pela figura da mãe ou da irmã ou, ainda, escrevendo textos ambientados na Idade Média, em que a figura heróica dos cavaleiros permite sonhar com grandes feitos e atos marcados pela honra e pela nobreza. É o caso da obra Eurico, o Presbítero, de Alexandre Herculano, por exemplo.
_ na morte: que é vista como solução para as tristezas e a insatisfação. Neste sentido, convém destacar a obra Werther, de Goethe, na qual a ideia de suicídio aparece com intensidade, mostrando-o como a única possibilidade de escapar do sofrimento a que o ser humano se expõe a cada dia.
Senso de Mistério
Sem conseguir adaptar-se a seu mundo, valorizando a morte como a única saída, o artista romântico sente atração por ambientes noturnos, misteriosos, como cemitérios, ruas desertas, etc.
Culto à natureza :
Influenciados pelas ideias de Rousseau, os românticos vêem na natureza um refúgio seguro para suas dores, visto que os vícios da civilização não chegam até ela.
Além disso, é importante lembrar que, no Arcadismo, a paisagem bucólica era utilizada como cenário para os amores do poeta, mais permanecia impassível, indiferente às emoções que ele sentia. No Romantismo, porém, a natureza compartilha o sofrimento do poeta, tornando-se reflexo de seu mundo interior. A natureza passa a ser uma extensão do eu do poeta, mostrando-se triste ou alegre como ele, dependendo de seu estado de espírito.
Reformismo
Insatisfeitos com seu mundo, o poeta propõe-se a mudá-lo, influenciado pelas correntes libertárias da época. Ansiando por grandes feitos que lhe tragam a glória, o poeta romântico dedica-se a causa sociais, como a abolição da escravatura, a república, etc.

Em oposição ao paganismo próprio do estilo de época anterior, os românticos cultivam a fé cristã e os ideais religiosos.

Idealização da mulher :
A mulher não é mais vista sob o prisma do platonismo. O artista romântico ressalta a figura da mulher angelical e inatingível para ele, que se julga indigno dela; além disso, a mulher surge como elemento capaz de alterar a vida do poeta, o qual, sem ela, só terá paz na morte.
A figura materna aparece em destaque, representando o abrigo para o sofrimento e a dolorosa lembrança de um “paraíso perdido”.
Vale lembrar que, no Romantismo, a sensualidade está presente nas descrições femininas, mas apenas em relação às mulheres por quem o poeta se apaixona e que são, muitas vezes, apresentadas como prostitutas. Assim, a figura feminina oscila entre a pureza e a ingenuidade de um anjo e a luxúria de uma prostituta.

No Brasil, o momento histórico em que ocorre o Romantismo tem que ser visto a partir das últimas produções árcades, caracterizadas pela satírica política de Gonzaga e Silva Alvarenga, bem como as ideias de autonomia comuns naquela época. Em 1808, com a chegada da corte, o Rio de Janeiro passa por um processo de urbanização, tornando-se um campo propício à divulgação das novas influências europeias; a Colônia caminhava no rumo da independência.

Após 1822, cresce no Brasil independente o sentimento de nacionalismo, busca-se o passado histórico, exalta-se a natureza da pátria; na realidade, características já cultivadas na Europa e que se encaixavam perfeitamente à necessidade brasileira de ofuscar profundas crises sociais, financeiras e econômicas. De 1823 a 1831, o Brasil viveu um período conturbado como reflexo do autoritarismo de D. Pedro I: a dissolução da Assembleia Constituinte; a Constituição outorgada; a Confederação do Equador; a luta pelo trono português contra seu irmão D. Miguel; a acusação de Ter mandado assassinar Líbero Badaró e, finalmente, a abdicação. Segue-se o período regencial e a maioridade prematura de Pedro II. É neste ambiente confuso e inseguro que surge o Romantismo brasileiro, carregado de lusa fobia e, principalmente, de nacionalismo.

Características :

Um dos fatos mais importantes do Romantismo foi a criação de um novo público, uma vez que a literatura torna-se mais popular, o que não acontecia com os estilos de época de características clássicas. Surge o romance, forma mais acessível de manifestação literária; o teatro ganha novo impulso, abandonando as formas clássicas. Com a formação dos primeiros cursos universitários em 1827 e com o liberalismo burguês, dois novos elementos da sociedade brasileira representam um mercado consumidor a ser atingido: o estudante e mulher. Com a vinda da família real, a imprensa passa a existir no Brasil e, com ela, os folhetins, que desempenharam importante papel no desenvolvimento no romance romântico.

No prefácio de Suspiros poéticos e saudades, Gonçalves de Magalhães nos dá uma ótima visão do que era o romantismo para um autor romântico:
“É um livro de poesias escritas segundo as impressões dos lugares; ora assentado entre as ruínas da antiga Roma, meditando sobre a sorte dos impérios; ora no cimo dos Alpes, a imaginação vagando no infinito como um átomo no espaço; ora na gótica catedral, admirando a grandeza de Deus, e os prodígios do cristianismo; ora entre os ciprestes que espalham sua sombra sobre os túmulos; ora enfim refletindo sobre a sorte da pátria, sobre as paixões dos homens, sobre o nada da vida. Poesias d’alma e do coração, e que só pela alma e pelo coração devem ser julgadas. Quanto à forma, isto é, a construção, por assim dizer, material das estrofes, nenhuma ordem seguimos; exprimindo as ideias como elas se apresentaram, para não destruir o acento da inspiração; além de que, a igualdade de versos, a regularidade das rimas, e a simetria das estrofes produzem tal monotonia, que jamais podem agradar.”

Realmente, Gonçalves de Magalhães define o Romantismo e suas características básicas sob dois aspectos: o de conteúdo e o de forma.

Quanto ao conteúdo, os românticos cultivavam o nacionalismo, que se manifestava na exaltação da natureza da pátria, no retorno ao passado histórico e na criação do herói nacional, no caso brasileiro, o índio (o nosso cavaleiro medieval). Da exaltação do passado histórico vem o culto à Idade Média, que, além de representar as glórias e tradições do passado, também assume o papel de negar os valores da Antiguidade Clássica. Da mesma forma, a natureza ora é a extensão da pátria ora é um prolongamento do próprio poeta e seu estado emocional, um refúgio à vida atribulada dos centros urbanos do século XIX.

Outra característica marcante no romantismo e verdadeiro “cartão de visita” de toda a escola foi o sentimentalismo, a valorização dos sentimentos, das emoções pessoais: é o mundo interior que conta o subjetivismo. E à medida que se volta para o eu, para o individualismo, o pessoalismo, perde-se a consciência do todo, do coletivo, do social. A constante valorização do eu gera o egocentrismo; os poetas românticos se colocavam como o centro do universo. É evidente que daí surge um choque da realidade e o seu mundo. A derrota inevitável do eu leva a um estado de frustração e tédio. Daí as seguidas e múltiplas fugas da realidade: o álcool, o ópio, as “casa de aluguel” (prostíbulos), a saudade da infância, a idealização da sociedade, do amor e da mulher. No entanto, essa fuga tem ida e volta, exceção feita à maior de todas as fugas românticas: a morte.

Já ao final do Romantismo brasileiro, a partir de 1860, as transformações econômicas, políticas e sociais levam a uma literatura mais próxima da realidade; a poesia reflete as grandes agitações, como a luta abolicionista, a Guerra do Paraguai, o ideal de República. É a decadência do regime monárquico e o aparecimento da poesia social de Castro Alves. No fundo, uma transição para o realismo.

Quanto ao aspecto formal, a literatura romântica se apresenta totalmente desvinculada dos padrões e normas estéticas do Classicismo. O verso livre, sem métrica e estrofação, e o verso branco, sem rima, caracterizam a poesia romântica.

O romantismo se inicia no Brasil 1836, quando Gonçalves de Magalhães publica na França a Niterói – Revista Brasiliense, e no mesmo ano lança um livro de poesias românticas intitulado Suspiros poéticos e saudades.

Em 1822, D. Pedro I concretiza um movimento que se fazia sentir, de forma mais imediata, desde 1808: a independência do Brasil. A partir desse momento, o novo país necessita inserir-se no modelo moderno, acompanhando as nações independentes da Europa e América. A imagem do português conquistador deveria ser varrida; há a necessidade de auto-afirmação da pátria que se formava. O ciclo da mineração havia dado condições para que as famílias mais abastadas mandassem seus filhos à Europa, em particular França e Inglaterra, onde buscam soluções para os problemas brasileiros, apesar de não possuir o Brasil a mesma formação social dos países industrializados da Europa, representada pelo binômio burguesia/ proletariado. A estrutura social brasileira ainda era marcada pelo binômio aristocracia/ escravo; o “ser burguês” era mais um estado de espírito, norma de comportamento, do que uma posição econômica e social.

É nesse contexto que encontramos Gonçalves de Magalhães viajando pela Europa. Em 1836, vivendo o momento francês, funda a revista Niterói, da qual circularam apenas dois números, em paris. Nela, publica o “Ensaio sobre a história da literatura brasileira” considerada o nosso primeiro manifesto romântico:

“Não, oh! Brasil! No meio do geral merecimento tu não deves ficar imóvel e tranquilo, como o colono sem ambição e sem esperança. O germe da civilização, depositado em seu seio pela Europa, não tem dado ainda todos os frutos que deveria dar, vícios radicais têm tolhido seu desenvolvimento. Tu afastaste do teu colo a mão estranha que te sufocava, respira livremente, respira e cultiva as ciências, as artes, as letras as indústrias e combate tudo o que entrevá-las pode.”

O ano de 1881 é considerado marco final do romantismo, quando são lançados os primeiros romances de tendência naturalista e realista (O mulato, de Aluísio Azevedo, e Memórias de Brás Cubas, de Machado de Assis), embora desde 1870 já ocorressem manifestações do pensamento realista na Escola de Recife, em movimento liderado por Tobias Barreto.

AS GERAÇÕES ROMÂNTICAS

Como vimos no início do capítulo, percebe-se nitidamente uma evolução no comportamento dos autores românticos; a comparação entre os primeiros e os últimos representantes dessa escola revela traços peculiares a cada fase, mas discrepantes entre si. No caso brasileiro, por exemplo, há uma distância considerável entre a poesia de Gonçalves Dias e a Castro Alves. Daí a necessidade de dividir o Romantismo em fases ou gerações. Assim é que no Romantismo brasileiro podemos reconhecer três gerações :

Primeira Geração – geração nacionalista ou indianista

Marcada pela exaltação da natureza, volta ao passado histórico, medievalismo, criação do herói nacional na figura do índio, de onde surgiu a denominação de geração indianista. O sentimentalismo e a religiosidade são outras características presentes. Entre os principais autores podemos destacar Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães e Araújo Porto Alegre.


Canção do Exílio

“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá,
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas tem mais flores,
Nossos bosques tem mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontre eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá,
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o sabiá.”

o amor

Se se morre de amor

´Se se morre de amor! - Não não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma(...)

Simpáticas feições, cintura breve
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d’amor arrebatar-nos
Mas isso amor não é; isso é delírio,
Devaneio, ilusão que se esvanece
ao som final da orquestra, ao derradeiro
Clarão, que as luzes no morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D’amor igual ninguém sucumbe à perda.

Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração - abertos
Ao grande, ao belo; é ser capaz d’extremos
D’altas virtudes, té capaz de crimes!
Compreender o infinito
Compreender o infinito, a imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D’as aves, flores, murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
Fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes:
Isso é amor, e desse amor se morre

Segunda Geração – geração do “mal do século”

Fortemente influenciada pela poesia de Lord Byron e Musset, é chamada, inclusive, de geração byroniana. Impregnada de egocentrismo, negativismo boêmio, pessimismo, dúvida, desilusão adolescente e tédio constante – característicos do ultra-romantismo, o verdadeiro -“mal do século”- seu tema preferido é a fuga da realidade, que se manifesta na idealização da infância, nas virgens sonhadas e na exaltação da morte. Os principais poetas dessa geração foram Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela.

Terceira geração – geração condoreira

Caracterizada pela poesia social e libertária, reflete as lutas internas da Segunda metade do reinado de D. Pedro II. Essa geração sofreu intensamente a influencia de Victor Hugo e de sua poesia político-social, daí ser conhecida como geração hugoana. O termo condoreirismo é conseqüência do símbolo de liberdade adotado pelos jovens românticos: o condor, águia que habita o alto da cordilheira dos Andes. Seu principal representante foi Castro Alves, seguido por Tobias Barreto e Sousândrade.

ALGUNS DOS PRINCIPAIS AUTORES ROMÂNTICOS

Casimiro de Abreu

Poeta brasileiro, Casimiro José Marques de Abreu nasceu em São João da Barra, no estado do Rio, em quatro de janeiro de 1837. Poeta de grande inspiração, seus versos ainda hoje apreciados, lidos com admiração. “As Primaveras”, sua coletânea de poemas, ainda continua agradando ao grande público, e as edições sucedendo. Faleceu a 19 de outubro de 1860, com a idade de 23 anos.

José de Alencar

Foi bacharel em direito, jornalista, professor, crítico, teatrólogo e Poeta. Escreveu sobre o pseudônimo de IG, em 1856, as “Cartas sobre a Confederação dos Tamoios”. É considerado o fundador do romance brasileiro, já que no Brasil foi o primeiro a dar ao país um verdadeiro estilo literário. Sua obra está repleta de um nacionalismo vibrante, toda ela escrita numa tentativa de nacionalismo puro, numa temática nova, muito brasileira. Publicou :
“O Guarani”, “Iracema”, “Ubirajara”, “As Minas de Prata”, “O Garatuja”, “O Ermitão da Glória”, “Lucíola”, “A Pata da Gazela”, “O Gaúcho”, “O Tronco do Ipê”, “O Sertanejo” e muitos outros. Faleceu em 1877.

Castro Alves

Nasceu na Bahia, em 1847. É considerado um dos maiores poetas brasileiros. Em 1863, começou a participar da campanha abolicionista, escrevendo em um jornal acadêmico seus primeiros versos em defesa da abolição da escravatura: “A Canção do Africano”. Castro Alves participou ativamente das inquietações de espírito, da agitação poética e patriota e das lutas liberais que empolgavam sua geração. Em 1868 transferiu-se do Rio de Janeiro para São Paulo, onde continuou sua campanha abolicionista, declamando seus poemas antiescravista em praça pública. Foi acometido de tuberculose e um acidente ocorrido em uma caçada acabou por consumi-lo. Faleceu em 6 de junho de 1871. Deixou vasta bagagem literária, entre artigos, poesias, etc. “A Cachoeira de Paulo Afonso”, “A Revolução de Minas” ou “Gonzaga”, drama e o livro “Espumas Flutuantes”.

Álvares de Azevedo

Poeta brasileiro nascido em São Paulo, a 12 de setembro de 1831. “Lira dos Vinte Anos” é o título de sua obra principal, deixada inédita e publicada após a sua morte ocorrida em dez de março de 1852, no Rio de Janeiro. Escreveu ainda “A Noite na Taverna”, livro de contos, e mais “Conde Lopo”, um Drama, incompleto, aliás. Deixou também traduções e comentários críticos.

Gonçalves Dias

Poeta brasileiro, nasceu no estado do Maranhão, a 10 de agosto de 1823. Em 1840 foi estudar direito em Portugal, no Colégio de Artes, e foi lá que escreveu sua famosa “Canção do Exílio”. Já formado, embarcou para o Brasil, onde permaneceu muitos anos. Em 1847, lançou “Os Primeiros Cantos” e, 1848, “Os Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão”. Em 1849, foi nomeado professor de latim e História do Brasil no Colégio Pedro II. Em 1851, foram publicados os “Últimos Cantos”. Em 1862, bastante enfermo, embarcou para Europa. Em 1864, voltando ao Brasil, faleceu em um naufrágio. Gonçalves Dias é o patrono da cadeira nº 15 da Academia Brasileira de Letras.

Joaquim Manuel Macedo

Romancista, poeta e jornalista brasileiro, nasceu em 1820 e faleceu no Rio de Janeiro em 1882. Pode ser considerado um dos pioneiros do romance no Brasil. Seu primeiro romance “A Moreninha”, lançado em 1844, até hoje é sucesso. Foi médico, professor, deputado da Assembléia Provincial e deputado federal. Escreveu também “O Forasteiro”, “O Moço Louro”, “Os Dois Amores”, “O Culto do Dever”, “A Namoradeira”, e outras obras. É patrono da cadeira nº 20 da Academia Brasileira de Letras.

Bernardo Guimarães

Jornalista, professor, crítico e poeta, nasceu em Ouro Preto, em 1825. Formado em Direito, viveu a atmosfera romântica da época. Estreou com um livro de versos “Contos da Solidão” em 1852, ao qual se seguiram “Poesias”, “Folhas de Outono” e “Novas Poesias”. Bernardo Guimarães foi um dos iniciadores do regionalismo romântico com a publicação de “O Ermitão de Muquém”, lançado em 1869. Abrangendo o tema da escravidão, escreveu “Escrava Isaura” e ainda “O Garimpeiro”, e “O Seminarista”. Morreu em 1884.

Romantismo – Prosa

Um índio
Um índio descerá
De uma estrela colorida e brilhante
De uma estrala que virá
Numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul na América num claro instante

Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros
Das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas tecnologias

Virá
Impávido que nem muhammad ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como peri
Virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
O aché do afoché filhos de ghandi
Virá

Um índio preservado
Em pleno corpo físico
Em todo sólido todo
Gás e todo líquido
Em átomos palavras cor em gesto em cheiro em sombra em luz em som magnífico
Num ponto eqüidistante
Entre o atlântico e o pacifico
Do objeto sim resplandecente
Descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá fará não sei dizer assim de um modo explícito

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos não por ser exótico
Mas pelo fato de poder Ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio.

(Caetano Veloso)

O início da prosa literária brasileira ocorreu no Romantismo. Com o gradual desenvolvimento de algumas cidades, sobre tudo o Rio de Janeiro, a cidade da corte, formou-se um público composto basicamente de jovens da classe alta, cujo ócio permitia a leitura de romances e folhetins.

Esse público leitor buscava na literatura apenas distração. Torcia por suas personagens, sofria com as desilusões das heroínas e tranqüilizava-se com o inevitável final feliz. E, tão logo chegava ao fim, fechava o livro esquecia-o, esperando o próximo, que lhe oferecia praticamente as mesmas emoções. O público de hoje substituiu os romances e folhetins pelas telenovelas e fotonovelas, mas ainda continua em busca de distração, passando o tempo a torcer e chorar por seus heróis...

TENDÊNCIAS DO ROMANCE ROMÂNTICO

Romance urbano

É o que desenvolve tema ligado à vida social, principalmente do Rio de Janeiro. A variedade dos tipos humanos, os problemas sociais e morais decorrentes do desenvolvimento da cidade, tudo serviu de fonte para os nossos romancistas, dentre os quais se destacam: José de Alencar (Senhora ; Lucíola), Joaquim Manuel de Macedo (A Moreninha; O Moço Loiro) e Manuel Antônio de Almeida (Memórias de um sargento de milícias).

sábado, 10 de julho de 2010

Literatura - Parnasianismo:

O Parnasianismo surge a partir da segunda metade do séc. XIX, reagindo contra o sentimentalismo e a subjetividade romântica. Eles procuravam uma poesia mais cerebral, em que o belo deveria ser alcançado por meio de um trabalho meticuloso.
Origina-se de Parnasus, região montanhosa da Grécia. Segundo a lenda, ali moravam os poetas. Alguns críticos chegaram a considerar o Parnasianismo como uma espécie de Realismo na poesia. O autor Realista percebe a crise da “síntese burguesa”, já não acredita em valores da classe dominante, em compensação, o autor parnasiano mantém certa indiferença frente ai drama cotidiano, isolando-se numa “torre de marfim”, elaborando teorias de acordo com hedonismo, ou seja, preocupação com o prazer individual.

Características do Parnasianismo:


• Impessoalidade e objetividade: evitando fazer confissões pessoais, os poetas parnasianos procuravam fazer descrições objetivas de cenas e coisas, numa poesia pictórica, retratista, contrária a idealização romântica. Vasos, estátuas, elementos exóticos, históricos, filosóficos, arqueológicos e mitológicos.
• Visão carnal da mulher: ao contrário dos românticos que descreviam a mulher idealizada, os parnasianos a descrevia como fêmea desejada e sadia.
• Arte pela arte: para os parnasianos a verdade era igual à beleza, e a beleza residia na forma; portanto, a arte não teria outra finalidade além da criação da beleza, não teria qualquer compromisso, não existiria função da sociedade, da religião, da moral etc. O único compromisso da arte seria com ela mesma, contudo veremos que os brasileiros não seguiram a risca este princípio.
• Culto da forma: em consequência da fórmula verdade= beleza = forma, os parnasianos buscaram a perfeita expressão, do que decorre.
a) predominância da técnica sobre a inspiração, da forma sobre o conteúdo;
b) assimilação dos ideais das artes plásticas, comparação doa poeta com o pintor, o escultor, o ourives;
c) procura da rima rica, rara, ou resultante da combinação de categorias gramaticais diferentes, aversão aos termos cognatos (originários da mesma raiz);
d) retorno aos modelos clássicos greco-latinos e alusão à mitologia;
e) correção gramatical, uso de vocábulos raros, inversão frasal;
f) procura da palavra perfeita (mot juste);
g) predileção pelo soneto, abandono do verso branco;
h) repúdio a hiato, encontro de duas vogais no fim de uma palavra e no princípio de outra: be/le/za é ân/sia;
i) sonetos terminados com “chave de ouro”, isto é, com um verso final bem escrito, procurando condensar uma idéia e arrematando o poema com um belo efeito.
Parnasianos da prosa: Rui Barbosa, Coelho Neto, Xavier Marques, e outros.

Principais autores:

• Olavo Bilac: um dos poetas mais combatidos pelos modernistas por apresentar certos traços românticos em sua poesia. Ele tem como característica dominar a poética e a língua, devido a sua extrema preocupação com o refinamento formal.

O poeta ufanista:

Olavo Bilac cantou os símbolos pátrios, a mata, as estrelas, as crianças, os soldados, a bandeira, os dias nacionais, etc. Veja-se o soneto “Pátria”:

“Pátria, latejo em ti, no teu lenho, por onde
Circulo! E sou perfume, e sombra, e sol, e orvalho!]
E, em seiva, ao teu clamor a minha voz responde,]
E subo do teu cerne ao céu de galho em galho!]

Dos teus liquens, dos teus cipós, da tua fronde,]
Do ninho que gorjeia em teu doce agasalho,
Do fruto a amadurar que em teu seio se esconde]
De ti, - rebento em luz e em cânticos me espalho!

Vivo, choro em teu pranto; e, em teus dias felizes,]
No alto, como uma flor, em ti, pompeio e exulto!]
E eu, morto - sendo tu cheia de cicatrizes,

Tu golpeada e insultada, - eu tremerei sepulto:
E os meus ossos no chão, como as tuas raízes,]
Se estorcerão de dor, sofrendo o golpe e o insulto!”]

Via-Láctea

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálido aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”


Obras:
Poesia: Poesias (“Panópilas”, “Via-Láctea”. “O caçador de esmeraldas”, “Sarças de fogo” e “Alma inquieta”) (1888); Sagres (1898); Poesias infantis (1904) e Tarde (1919).
Prosa: Crítica e fantasia (1904); Tratado de versificação (1905), em co-autoria.

• Raimundo Correia: sua poesia tem um tom melancólico e pessimista no questionamento da vida e sua transitoriedade. Porém, foi um mestre na construção verbal, caracterizando-se pela escolha prefeita do vocábulo e pelo domínio do verso e da língua. Seus poemas também serviram como ação política e social e às vezes com um fundo filosófico e ideológico.
Obras:
Poesia: Primeiros sonhos (1897); Sinfonias (1893); Versos e versões (1897); Aleluias (1891) e poesias (1898).
• Alberto de oliveira:

sua obra revela excessiva preocupação formal, gosto por preciosismos e sintaxe rebuscada. O exotismo, o sentimento contido, as imagens sugestivas, a linguagem às vezes nobre, mas sem arcaísmos, a tendência às descrições da natureza e as coisas antigas, a melancolia e saudade são características de sua poesia.
Obras:
Poesia: Canções românticas (1877-78); meridionais (1884); Sonetos e poemas (1895); Versos e rimas (1895) e Ramo de árvore (1922).

Concordância Verbal:

CONCORDÂNCIA VERBAL

O verbo concorda em número e pessoa com o sujeito da oração:
O governo e o povo lutam pelos mesmos ideais.

Assim como na concordância nominal, na verbal encontramos particularidades.

a) Voz passiva sintética - se o verbo for apassivado pelo pronome se (voz passiva sintética), concorda em número e pessoa com o sujeito (paciente):

Alugam-se casas.
Não se aceitam fotocópias.

b) Sujeitos ligados por ou - quando o sujeito é formado por substantivos no singular ligados pela conjunção ou, é necessário ver se há ideia de exclusão ou de soma. No primeiro caso, o verbo fica no singular; no segundo, irá ao plural:

Pedro ou Paulo (= um dos dois) será eleito presidente.(exclusão)
O calor forte ou o frio excessivo (= os dois) prejudicam a saúde. (soma)

c) Verbos impessoais - o verbo fazer, quando indica tempo transcorrido ou fenômeno meteorológico, é impessoal, ficando, por isso, na terceira pessoa do singular; já o verbo haver, no sentido de existir, acontecer, ocorrer ou realizar-se e quando indica tempo transcorrido, fica impessoal:

Hoje faz duas semanas que estou de férias.
Há oitenta candidatos em cada sala.

d) Os verbos bater, soar, dar usados em relação a horas, concordam com o número de horas.

Iam soar cinco horas.
Bateu uma hora.

e) Nas expressões: é muito, é pouco, é mais de, é menos de - o verbo ser fica no singular.

Seis anos de namoro é muito.
Cinquenta mil reais é pouco pelo apartamento.

f) Horário: o numeral concorda com o termo seguinte, ou seja, singular em número um e plural a partir de dois.
ex.: são duas horas, são oito horas, é uma hora, é meio-dia( metade do dia), é meia-noite( metade da noite).

g) Dia: concorda com o número.
ex.: hoje é primeiro de Junho, hoje são cinco de Junho. ( se colocarmos a expressão dia antecedendo o verbo fica no singular - ex.: hoje é dia cinco de Junho).

Concordância Nominal :

CONCORDÂNCIA NOMINAL

O artigo, o adjetivo, o pronome adjetivo e o numeral concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem:

Cumprimos as condições estabelecidas.
Não se permitem telefonemas interurbanos.
Traga-me quatrocentos gramas de presunto.
Suas críticas não procedem.

A concordância nominal apresenta algumas particularidades, são elas:

a) Substantivo em função adjetiva - fica invariável o substantivo em função adjetiva, o que ocorre quando se subentende a expressão da cor de:

Comprei dois ternos cinza e duas gravatas laranja.
Ela só gosta de vestidos rosa.

b) Adjetivos compostos ligados por hífen - nos adjetivos compostos ligados por hífen, só varia o último elemento.

Compramos obras técnico-científicas.
Lembro-me somente de que ela tinha olhos verde-escuros.

c) Menos - a palavra menos em função adjetiva (pronome adjetivo indefinido), é invariável:

Havia menos pessoas do que esperávamos.
Queremos menos conversa e mais ação.
No baile havia menos moças do que rapazes.

d) Meio - meia, quando modifica adjetivo e equivale a “um tanto, um pouco”, fica invariável; quando se refere a um substantivo (claro ou subentendido), concorda com ele em gênero e número, quando é numeral e significa metade concorda com o termo seguinte:

Os alunos estavam meio nervosos. (um tanto, um pouco)
Os rapazes são meio ariscos e as moças meio acanhadas. ( uum tanto, um pouco)
Sempre usava de meias palavras. (poucas)
Ele bebeu meia garrafa de vinho.( metade)

e) Numerais cardinais - os numerais cardinais, quando usados em lugar dos ordinais, ficam invariáveis:

Moro na casa quarenta e dois.
f) Quite - concorda em número com o substantivo ou pronome substantivo a que se refere:

Já estou quite com as minhas obrigações militares.
Vocês já estão quites com a tesouraria?

g) Bastante ou Bastantes - quando bastante significa muito, é invariável - advérbio.
ex.: há bastante espaço no cômodo. Há muito espaço no cômodo.
Quando significa suficiente concorda com o termo a que se refere. Adjetivo.
ex.: Há flores bastantes na floricultura. Há flores suficientes na floricultura.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Língua - Polissemia - Homônimos e Parônimos.



HOMÔNIMAS: palavras que são escritas e pronunciadas de modo idêntico, mas diferentes no significado. Podem ser:
a) homônimas homógrafas: palavras que são diferentes na pronúncia (timbre fechado e aberto), mas iguais na grafia. Exemplos:

Prefiro a cor verde à amarela.
A lição, guardei-a toda de cor.

b) homônimas homófonas: palavras que são iguais na pronúncia, mas diferentes na grafia e na significação. Exemplos:

Ganhei uma camisa de seda.
É provável que a febre ceda.


c) homônimas perfeitas: palavras que são iguais na forma (grafia e pronúncia), mas diferentes na significação. Exemplos:
O fundo social pretende diminuir a miséria do povo.
Agora é tarde: o navio chegou ao fundo.

PARÔNIMAS: palavras que são semelhantes na forma (quase a mesma grafia e quase a mesma pronúncia), mas totalmente diferentes na significação. Exemplos:

Estavam presentes ao ato o corpo docente e o corpo discente.

domingo, 23 de maio de 2010

Língua - Acordo Ortográfico - Terceira parte:




A partir de Janeiro de 2008, Brasil, Portugal e os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste terão a ortografia unificada.

O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais. Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros. Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado. No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada. Mas apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país.
Resumo da ópera - o que muda na ortografia :


- As paroxítonas terminadas em “o” duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao invés de “abençôo”, “enjôo” ou “vôo”, os brasileiros terão que escrever “abençoo”, “enjoo” e “voo”;


- mudam-se as normas para o uso do hífen- parte II);

Não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus decorrentes, ficando correta a grafia “creem”, “deem”, “leem” e “veem”;


- Criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como “louvámos” em oposição a “louvamos” e “amámos” em oposição a “amamos”;


- O trema desaparece completamente(parte II). Estará correto escrever “linguiça”, “sequência”, “frequência” e “quinquênio” ao invés de lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio;


- O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de “k”, “w” e “y”;


- O acento deixará de ser usado para diferenciar “pára” (verbo) de “para” (preposição);


- Haverá eliminação do acento agudo nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia”. O certo será assembleia, ideia, heroica e jiboia;


- Em Portugal, desaparecem da língua escrita o “c” e o “p” nas palavras onde ele não é pronunciado, como em “acção”, “acto”, “adopção” e “baptismo”. O certo será ação, ato, adoção e batismo;


- Também em Portugal elimina-se o “h” inicial de algumas palavras, como em “húmido”, que passará a ser grafado como no Brasil: “úmido”.- Portugal mantém o acento agudo no e e no o tônicos que antecedem m ou n, enquanto o Brasil continua a usar circunflexo nessas palavras: académico/acadêmico, génio/gênio, fenómeno/fenômeno, bónus/bônus.

sábado, 22 de maio de 2010

Literatura - Eduardo Guimarães e Pedro Kilkerry (Simbolismo)

Eduardo de Guimarães(1892-1928)

Poeta nascido no Rio Grande do Sul, Eduardo de Guimarães Publicou seu primeiro poema, o soneto Aos Lustres, aos 16 anos, no Jornal da Manhã, de Porto Alegre. Seu primeiro livro de poesia, Caminho da Vida, foi publicado também em 1908. Por volta de 1911 atuou como colaborador também dos periódicos Jornal do Comércio, Folha da Manhã, Diário, Federação e de igual maneira Correio do Povo, na capital gaúcha. Entre 1912 e 1916 viveu no Rio de Janeiro, onde colaborou nos jornais A Hora, Rio-Jornal, A Imprensa e Boa Hora, e de igual maneira na revista Fon-Fon. também em 1916, ainda, publicou A Divina Quimera, que, claro o tornou conhecido no Brasil. Produziu também traduções de poemas e comédias, além de peças de teatro. Poeta simbolista, sua obra foi influenciada por Baudelaire, Eugênio de Castro, Maeterlinck, Mallarmé, Rimbaud, Verlaine. Foi diretor da Biblioteca Pública de Porto Alegre entre 1911 e 1912. Casado com Etelvina Barreto Guimaraens e de igual maneira teve dois filhos o promotor público Dante Gabriel Guimarães e o jornalista Carlos Rafael Guimarães. Segundo o crítico Donaldo Schuler, “o discurso paradoxal de Eduardo Guimarães rebenta também em lugar próprio ao acontecer na época das grandes transformações por que, claro passa o Estado”. Estas, abrindo as fronteiras entre os versos e o que, claro os circunda, propiciam a poetização da vida e de igual maneira a vitalização da poesia.
Observe o poema mais conhecido do autor gaúcho:

Doçura de Estar Só...

Doçura de estar só quando a alma torce as mãos!
— Oh! doçura que tu, Silêncio, unicamente sabes dar a quem sonha e sofre em ser o
Ausente, ao lento perpassar destes instantes vãos!
Doçura de estar só quando alguém pensa em nós!
De amar e de evocar, pelo esplendor secreto e pálido de uma hora em que ao
Seu lábio inquieto floresce, como um lírio estranho, a Sua voz!
E os lustres de cristal! E as teclas de marfim!
E os candelabros que, olvidados, se apagaram
E a saudade, acordando as vozes que calaram
Doçura de estar só quando finda o festim!
Doçura de estar só, calado e sem ninguém!
Dolência de um murmúrio em flor que a sombra exala, sob o fulgor da noite aureolada de Opalaque uma urna de astros de ouro ao seio azul sustém!
Doçura de estar sós Silêncio e solidão!
Ó fantasma que vens do sonho e do abandono,dá-me que eu durma ao pé de ti do mesmo sono!
Fecha entre as tuas mãos as minhas mãos de irmão!
Pedro Kilkerry (1885-1917)

Nasceu em Santo Antônio (Bahia). Estudou em Salvador, onde se formou em Direito. Ao morrer, com apenas trinta e dois anos, não tinha ainda livro publicado, fato que persiste até hoje. Redescoberto pela vanguarda concretista, Pedro Kilkerry é mais um desses casos estranhos que povoam a história literária. Criador isolado de uma poética fragmentária, feita de aliterações, onomatopeias e neologismos, levou a extremo as possibilidades de expressão abertas pelos simbolistas, aproximando-se do experimentalismo de alguns poetas modernistas.
Observe um poema do autor:

Sob os Ramos


É no Estio. A alma, aqui, vai-me sonora,
No meu cavalo — sob a loira poeira
Que chove o sol — e vai-me a vida inteira
No meu cavalo, pela estrada afora.
Ai! desta em que te escrevo alta mangueira
Sob a copada verde a gente mora.
E em vindo a noite, acende-se a fogueira
Que se fez cinza de fogueira agora.
Passa-me a vida pelo campo... E a vida
Levo-a cantando, pássaros no seio,
Qual se os levasse a minha mocidade...
Cada ilusão floresce renascida;
Flora, renasces ao primeiro anseio
Do teu amor... nas asas da Saudade!
Dicas de estudo: Para quem quiser entender melhor o movimento e características ligadas ao Simbolismo sugiro que assistam ao filme “Sonhos”, de Akira Kurosawa ( filme que mostra uma série de histórias onde uma fala sobre o pintor Van Gogh, pós-impressionista) ou leiam “O retrato de Doriam Gray, de Oscar Wilde.

Literatura - Alphonsus de Guimarães ( Simbolismo)


Alphonsus de Guimarães (1870-1921):


Nascido em Ouro Preto, Alphonsus de Guimarães estudou direito em São Paulo e foi juiz durante vários anos na cidade de Mariana, cidade vizinha a Ouro Preto.
Após a morte de sua prima, de nome Constança, por quem trazia grande paixão, Guimarães marcou sua poesia com o tema da morte da mulher amada, colocando-o ao lado da poesia gótica e de alguns autores ultrarromânticos.Em quase trinta anos de obras, Alphonsus de Guimarães explora o tema sobre sepultamentos, os corpos mortos, cores roxas, uma Literatura macabra, porém mística e espiritualista. Observe o poema mais popular de Guimarães:


Ismália


Quando Ismália enlouqueceu,Pôs-se na torre a sonhar...

Viu uma lua no céu,Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,Banhou-se toda em luar...

Queria subir ao céu,Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,Na torre pôs-se a cantar...

Estava perto do céu,Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu

As asas para voar...

Queria a lua do céu,Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu

Ruflaram de par em par...

Sua alma subiu ao céu,Seu corpo desceu ao mar...

Note algumas características da poesia de Alphonsus de Guimarães, o uso de paralelismo(repetição de palavras nos versos), a sobreposição de vida e morte, espiritualidade e matéria, real e simbólico, realidade espiritual e realidade concreta.


sexta-feira, 21 de maio de 2010

Literatura - Autor Simbolista - Cruz e Souza



Cruz e Souza (1861-1898):




Cruz e Souza é considerado o maior poeta simbolista do Brasil, suas obras Missal e Broquéis, publicadas em 1893, marcam o início do simbolismo no Brasil.
Nascido em Santa Catarina, mais precisamente em Florianópolis, no ano de 1861, Cruz e Souza, vindo de uma família de escravos, foi amparado por uma família de aristocratas, assim, ajudado nos estudos, com a morte de seu protetor o poeta abandona os estudos e vai trabalhar na imprensa catarinense, escrevendo crônicas abolicionistas e participando ativamente a favor da causa contra a escravatura em nosso país. Cruz e Souza, vitima de racismo, vai para o Rio de Janeiro, após sofrer uma desilusão amorosa apaixonando-se por uma artista branca casa-se com uma mulher negra chamada Gavita, morre aos 36 anos, devido à tuberculose.
Cruz e Souza escreveu duas obras intituladas Missal e broqueis, é reconhecido hoje como um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos, mas isso veio a acontecer somente após sua morte e devido à colocação entre os maiores poetas simbolistas do mundo pelo francês Roger Bastide,sociólogo estudioso do simbolismo.
Sua obra poética apresenta muita diversidade e riqueza, de um lado encontram-se aspectos do simbolismo, herdados do romantismo: o culto da noite, pessimismo, certo satanismo, a morte.
Observe essas características no poema intitulado inexorável.


Inexorável


Ó meu Amor,que já morreste,

Ó meu Amor,que morta estás!

Lá nessa cova a que desceste,

Ó meu Amor,que já morreste,

Ah! nunca mais florescerás?!

Ao teu esquálido esqueleto,

Que tinha outrora de uma flor

A graça e o encanto do amuleto;

Ao teu esquálido esqueleto

Não voltará novo esplendor?!

E ah!o teu crânio sem cabelos

Sinistro,seco,estéril,nu...(Belas madeixas dos teus zelos!)

E ah! o teu crânio sem cabelos

Há de ficar como estás tu?!

O teu nariz de asa redonda,

De linhas límpidas,sutis

Oh!há de ser na lama hedionda

O teu nariz de asa redonda

Comido pelos vermes vis?!

Dos teus dois olhos-dois encantos

-De tudo,enfim,maravilhar,

Sacrário augsto dos teus prantos,

Os teus dois olhos-dois encantos

Em dois buracos vão ficar?!

A tua boca perfumosa,

O céu do néctar sensual,

Tão casta,fresca e luminosa,

A tua boca perfumosa

Vai ter o cancro sepulcral?!

As tuas mãos de nívea seda,

De veias cândidas e azuis

Vão se estinguir na noite treda

As tuas mãos de nívea seda,

Lá nesses lúgubres pauis?!

As tuas tentadoras pomas

Cheias de um magníficoelixir,

De quentes,cálidos aromas,

As tuas tentadoras pomas

Ah!nunca mais hão de florir?!

A essência virgem da beleza,

O gesto,o andar,o sol da voz

Que iluminava de pureza,

A essência virgem da beleza,

Tudo acabou no horror atroz?!

Na funda treva dessa cova,

Na inexorável podridão

Já te apagaste,Estrela nova,

Na funda treva dessa cova,

Na negra transfiguração!


Por outro lado, existe uma preocupação parnasianista em relação a forma e estrutura dos versos, uma linguagem filosófica que o aproxima dos poemas pertencentes ao realismo português. Cruz e Souza apresenta uma profundidade marcante quanto à utilização da Língua Portuguesa em seus versos, sempre seguindo a risca a gramática e o uso da língua em sua norma culta.
São características de sua poesia também a investigação filosófica e do sobrenatural, assim como o pessimismo vindo do filósofo alemão Schopenhauer, que fala sobre o drama da existência humana, a fuga da realidade e o desejo de fundir-se ao cosmos. Essas características seguem devido ao que o autor sofria pelo fato de ser negro e a luta contra as ideias capitalistas. Podemos sentir através de seus versos o drama de ser negro vivido pela opressão sentida no autor. Observe os poema a seguir:

Cárcere das Almas


Ah! Toda alma num cárcere está presa,

Soluçando nas trevas, entre as grades,

Do calabouço olhando as imensidades,

Mares, estrelas, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza

Quando a alma entre grilhões as liberdades

Sonha e, sonhando, as imortalidades

Rasga no etéreo espaço da pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas

Nas prisões colossais e abandonadas,

Da dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,

Que chaveiro do Céu possui as chaves

Para abrir-vos as portas do mistério ?!

Características da poesia de Cruz e Souza:


Podemos colocar como principais características do autor em relação aos temas: a morte, o lado espiritual, o conflito entre a matéria e o espírito, a integração com o cosmos, angústia, sublimação sexual, obsessão pela cor branca e a escravidão;
Quanto à forma podemos destacar: a sonoridade das palavras, a utilização de letras maiúsculas com fins de dar ênfase a certas palavras e o predomínio de substantivos em seus versos.
Observe no poema que segue o questionamento do fundamento da existência humana pelo poeta:

Cavador do Infinito


Com a lâmpada do Sonho desce aflito

E sobe aos mundos mais imponderáveis,

Vai abafando as queixas implacáveis,

Da alma o profundo e soluçado grito.

Ânsias, Desejos, tudo a fogo, escrito

Sente, em redor, nos astros inefáveis.

Cava nas fundas eras insondáveis

O cavador do trágico Infinito.

E quanto mais pelo Infinito cava mais o Infinito se transforma em lava

E o cavador se perde nas distâncias...

Alto levanta a lâmpada do Sonho.

E como seu vulto pálido e tristonho

Cava os abismos das eternas ânsias!


Neste poema o autor questiona a razão e o fundamento da existência humana. O eu lírico do poema vive o drama existencial, descrito como “cavar o infinito”. Os verbos desce e sobre descrevem a ideia de cavar. Acalmar os ânimos de sua aflição, essa é a intenção de cavar, sonhos se referem a infinito, fantasias, desejos.
O poema traz a ideia de que o autor tenta a retirada de suas dúvidas, medos e anseios á procura de uma libertação, uma calma espiritual.

domingo, 16 de maio de 2010

Literatura - Simbolismo:



SIMBOLISMO:


a segunda metade do século XIX, a Europa vivia uma fase de cientificismo, isto é, tudo tinha que ser comprovado, visto, sentido ou apalpado para ser real ou ser valorizado…contra isso surgiu o movimento simbolista, que acreditava na intuição contra a lógica, no subjetivismo dos sentidos contra a explicação racional. O simbolismo foi um movimento influenciado pelo poeta pós-romântico “Charles Baudelaire” (1821-1867), entre seus poemas mais conhecidos está “Correspondências”, leia com atenção a seguir:


Correspondências (Charles Baudelaire)


A natureza é um templo onde vivos

pilares Deixam filtrar não raro insólitos enredos;

O homem o cruza em meio a um bosque de segredos

Que ali o espreitam com seus olhos familiares.

Como ecos longos que à distância se matizam

Numa vertiginosa e lúgubre unidade,

Tão vasta quanto a noite e quanto a claridade,

Os sons, as cores e os perfumes se harmonizam.

Há aromas frescos como a carne dos infantes,

Doces como o oboé, verdes como a campina,

E outros, já dissolutos, ricos e triunfantes,

Com a fluidez daquilo que jamais termina,

Como o almíscar, o incenso e as resinas do Oriente,

Que a glória exaltam dos sentidos e da mente.


Note que o poema apresenta uma linguagem vaga, repleta de adjetivos e substantivos abstratos, assim utilizando-se do vago, indefinido, da imprecisão, forma muito utilizada no simbolismo.


Arte Simbolista, marcada pela procura do simbólico.

Características do Simbolismo:


O simbolismo apresenta características, muitas vezes semelhantes ao movimento parnasianista, devido aos dois movimentos repercutirem à mesma época, dentre essas características podemos apresentar:





O gosto pelo subjetivismo:

Os simbolistas fartos com a busca pela ciência e pelo que pudesse ser comprovado, utilizam uma linguagem que propõe temas vagos, frases que não levam a lugar algum, apenas usadas para “florear”, assim podemos dizer o assunto do que se quer dizer em um poema. Torna-se comum usar uma linguagem que busque o irreal, apenas como forma de divagação, tornando os temas nada objetivos no simbolismo.

Reação ao racionalismo:

O simbolismo vai contra tudo que se declara científico, tudo exige ser tocado, ser real. Os poetas simbolistas buscam a espiritualização da arte, ou seja, a busca e crença no que não pode ser comprovado, mas que pode de alguma forma ser sentido, vivido, podemos comparar o simbolismo nesse aspecto a crenças como a lei da atração, o espiritismo, a religiosidade, tudo que englobe a palavra fé.





O Simbolismo no Brasil


Ao contrário do que ocorreu na Europa, onde o simbolismo teve suprema importância, no Brasil os simbolistas sofreram grande oposição devido à força do parnasianismo brasileiro (movimento que apresentava semelhança com o simbolismo, porém, com a valorização da produção textual acima de qualquer outro objetivo).
Apesar disso, o simbolismo trouxe grandes contribuições para as inovações na poesia que viriam a ocorrer no séculoXX.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Lingua - Níveis de Linguagem





A língua se realiza por meio da fala e esta reflete uma situação individual. Ora, cada indivíduo sofre a influência da região em que vive, do meio social a que pertence, do ambiente cultural em que troca experiências, da profissão que exerce, do tempo que atravessa e, quando se expressa, seus atos de fala refletem essas influências. Por causa disso há, em uma língua, diferentes níveis de fala.
Se alguém está redigindo uma lei, uma portaria, um ofício ou qualquer outro tipo de redação oficial, se está escrevendo um texto técnico, científico ou didático, naturalmente não empregará a mesma linguagem de quando escreve um bilhete a uma namorada ou quando está numa reunião entre amigos.
No primeiro caso, usará o que se chama de nível ou norma formal ou linguagem culta, erudita, escorreita. No segundo caso, usará o nível ou norma informal, ou linguagem informal.
A norma formal, culta ou erudita segue as regras da gramática oficial que determina o que é certo e o que é errado e como se deve falar ou escrever linguisticamente. Mais refletida, é geralmente usada na escrita, há esforço para sua elaboração e o vocabulário é mais apurado.
Exemplo:
Faça-me um favor: se você vir o Paulo, diga-lhe para não deixar de vir cedo.

A norma informal subdivide-se em norma coloquial, comum, ou popular e norma vulgar.

a) norma coloquial - é a língua falada por indivíduos de instrução média e superior. É mais espontânea, o vocabulário é mais restrito, embora em constante evolução devido à criação de neologismos. Não há preocupação com as normas gramaticais. Usa-se no trato com os amigos, no trabalho, no bate-papo informal do cotidiano.
Exemplo:
Me faça um favor: se você ver o Paulo diga a ele para não deixar de vir cedo.

b) norma comum ou popular - é o uso que o povo faz do idioma principalmente por causa da influência dos meios de comunicação de massa, como o rádio, a TV, e os jornais. É a língua falada familiarmente, sem preocupação com as correções gramaticais.
Exemplo:
Me faz um favor: se você ver o Paulo diga pra ele não deixar de vim cedo.

c) norma vulgar - falada por pessoas semialfabetizadas ou analfabetas. É repleta de gírias, expressões grosseiras ou de baixo calão, tons exaltados ou excessivamente afetivos.
Exemplo:
Cara, solta uma grana prum sanduba.

Intervalo - Muito bom, hehhehe...( mais uma que recebi por e-mail...)

Professor: -O que devo fazer para repartir 11 batatas por 7 pessoas?
Aluno:- Purê de batata, senhor professor! ( Faz sentido!)
Professor:- Joaquim, diga o presente do indicativo do verbo caminhar.
Aluno:- Eu caminho.... tu caminhas... ele caminha...
Professor:- Mais depressa!
Aluno:- Nós corremos, vós correis, eles correm! (E não é verdade?)
Professor: -"Chovia" que tempo é?

Aluno: -É tempo muito mau, senhor professor. (alguma dúvida?)
Professor: -Quantos corações nós temos?

Aluno: -Dois, senhor professor. Professor: Dois!?
Aluno: -Sim, o meu e o seu! (a lógica explica...certinho!)
Dois alunos chegam tarde à escola e justificam-se: O 1º Aluno diz:- Acordei tarde, senhor professor! Sonhei que fui à Polinésia e a viagem demorou muito.

O 2º Aluno diz:- E eu fui esperá-lo no aeroporto! (fisicaquanticamente falando quem discute??? está certo!)
Professor:- Pode dizer-me o nome de cinco coisas que contenham leite?

Aluno: -Sim, senhor professor. Um queijo e quatro vacas.. (me diga onde ele errou?)
Um aluno de Direito a fazer um exame oral:

O que é uma fraude? Responde o aluno: -É o que o Sr. Professor está a fazer.
O professor muito indignado:- Ora essa, explique-se.... Diz o aluno:-Segundo o Código Penal comete fraude todo aquele que se aproveita da ignorância do outro para o prejudicar!(E então.. na lógica....)
PROFESSORA: -Maria, aponte no mapa onde fica a América do Norte. MARIA: Aqui está. PROFESSORA: -Correto. Agora turma, quem descobriu a América?
TURMA: -A Maria. (Uauuuuu)
PROFESSORA: -Joãozinho, me diga sinceramente, você ora antes de cada refeição?
Joãozinho:- Não professora, não preciso... A minha mãe é uma boa cozinheira. (sem comentários)
PROFESSORA:- Artur, a tua redação "O Meu Cão" é exatamente igual à do seu irmão. Você copiou?

ARTUR:- Não, professora. O cão é que é o mesmo.(sem noção...)
PROFESSORA:- Bruno, que nome se dá a uma pessoa que continua a falar, mesmo quando os outros não estão interessados?

BRUNO: -Professora. (a melhor de todas, sem dúvida!)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Língua- Orações Subordinadas:

Orações Subordinadas

Podem ser adverbiais, substantivas, adjetivas.

As orações subordinadas adverbiais classificam-se de acordo com as conjunções subordinativas:

a) Causais (que, porque, visto que, pois como)

João saiu bem na prova, porque estudou muito.

b) Concessivas (ainda que, embora, mesmo que, se bem que)

Sabia muito, embora lesse pouco.

c) Condicionais (se, caso, a menos que, desde que)

Iremos à praia, desde que não chova.

d) Conformativas (conforme, segundo, como, consoante)

Fizemos tudo como nos ensinaram.

e) Comparativas (estabelecem comparações: como, precedido de tão ou tanto, e que precedido de mais ou menos)

O policial foi mais esperto que o marginal.

f) Consecutivas (indicam seqüência de um fato enunciado na oração principal: que precedido de tão, tanto, tamanho ou tal)

O discurso era tão enfadonho, que muitos cochilavam.

g) Finais (a fim de que, para que)

Eu sairei, para que você possa estudar.

h) Proporcionais (à medida que, à proporção que, tanto mais...tanto menos)

À medida que envelhecemos, adquirimos experiência.

i) Temporais (logo que, mal, quando, sempre que, assim que)

O colono volta para casa, quando o sol se põe.

As orações subordinadas substantivas iniciam pelas conjunções integrantes (que e se) dividem-se em:

a) Subjetiva - exercem a função de sujeito da oração principal. Aparecem depois de expressões: é bom, é preciso, é verdade, convém:

É preciso que trabalhes.

b) Predicativa - predicativo da oração anterior. Vem após os verbos de ligação:

O certo é que estudei muito.

c) Objetiva direta - funcionam como objeto direto da principal:

Desejo que sejas feliz.

d) Objetiva indireta - é o objeto indireto da principal:

Os pais gostam de que seus filhos estudem.

e) Completiva nominal - é o complemento nominal da principal

Tenho certeza de que você vencerá.

f) Apositiva - funciona como aposto da principal (vem, em geral, após dois pontos)

Gritou algo terrível: a casa toda ardia em chamas.

As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas pelos pronomes relativos (que, quem, qual, cujo, onde, quanto). A s adjetivas equivalem a um adjetivo.

Porém, nem sempre as orações adjetivas podem ser substituídas por um adjetivo:

Quanto será pronome relativo, se for precedido de tudo, todos:

Faça tudo quanto ele vos disser.

Quem é pronome relativo, se vier precedido de preposição:

Este é o mestre a quem muito devemos.

Onde será pronome relativo, quando puder ser substituído em que, no(a) qual, nos(as) quais:
Esta é a casa onde nasci.

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